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As três Perguntas.

Primeiro, ele sentiu uma pequena dor. Algo que poderia muito bem ser confundido com uma fisgada que irrompia bem no fundo de sua nuca. Logo depois, uma sensação morna e aguda irradiou-se por todo o pescoço, quase como se fosse um arrepio que surge do nada e lembra o toque sobrenatural feito por um anjo mítico e misterioso. Então, como sempre acontecia, acordou no meio da noite sentindo a cabeça pesada.

Diante de seus olhos, a escuridão perdurou por alguns segundos. Só então começou a divisar as formas dos armários, bem como a porta entreaberta de seu quarto. Com cuidado, se sentou na cama, para assim não acordar a esposa que dormitava ao seu lado.

Passou a mão nos cabelos e sentiu que estava empapado em suor. Parecia que mais uma vez, ele havia percorrido quilômetros dentro de uma outra realidade, dentro de um outro sonho insano. Era quase como se percorresse, durante apenas uma noite, todo um universo à parte. Vivenciando anos inteiros em um lugar onírico, distante e diferente de tudo o que existia.

Mas agora, isso não importava mais. A sua existência prévia nas terras de Morpheus já ia sumindo e minguando à medida que ele acordava. Então, enquanto engolia a saliva seca e amarga, ele teve noção de que as três companheiras novamente se faziam presentes.

É claro que elas não existiam. Não da maneira como concebemos as coisas, não da maneira como embalamos o sonho que chamamos de realidade. Elas não eram nem criaturas corpóreas ou mesmo aparições fantasmagóricas. Por isso mesmo, elas eram assustadoras. Elas eram as três perguntas que sempre o visitavam quando ele despertava naquela hora da madrugada.

As três perguntas sempre existiram

A primeira, conviveu com ele por toda a sua infância. E só por isso, ele a imaginava como uma garota bela, diferente de tudo o que ele conheceu, que sempre o remetia à lembrança de sua primeira namoradinha e da primeira vez que sentiu a estranheza de ter um beijo roubado. Por isso, ele gostava de imaginar que ela teria cabelos vermelhos e se vestiria toda de preto. Como se fosse uma pessoa cheia de energia, sorrisos e segredos misteriosos.

Então ele sorriu quando escutou, como se fosse um sussurro, a sua indagação:

— Porque você está aqui?

Ele poderia muito bem responder que estava em seu quarto, acordando mais uma vez em um bairro de São Paulo. Mas essa era uma resposta localizada. Então, ele pensou em responder que estava vivo por um acaso, só porque Deus não o levou no acidente de carro que matou seus avós. Mas essa também era apenas uma resposta de fé. Então, como resposta, ele só abriu um sorriso para ela e se levantou para tomar um copo d´água.

Sem luz, o corredor do apartamento era um conjunto de sombras sobrepostas. Uma imagem abstrata que sempre o aterrorizou quando pequeno pois, para ele, observar a escuridão era como abrir uma porta para estranhos e assustadores universos, lugares habitados por monstros com grandes olhos e dentes pontiagudos. No entanto, com o passar dos anos e à medida que sua barba crescia e seus cabelos ganhavam algum cinza, o medo foi sumindo. Agora só restava a curiosidade sobre o que poderia existir além da escuridão.

Assim, ele agora sempre flertava com a imaginação e brincava com a possibilidade de que realmente em alguma sombra mais profunda ele pudesse simplesmente esbarrar com alguma criatura extraordinária. Ou quem sabe, encontrar algum segredo enigmático ao abrir uma porta misteriosa que o levasse a conhecer outros mundos além deste. Mas nada aconteceu em seu curto trajeto do quarto até a cozinha.

Foi só quando bebia devagar o copo de água, é que ele sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem por um pequeno instante. Esse era o sinal, quase a sensação de um abraço, que a segunda pergunta causava quando se aproximava dele.

Ele sentia e sabia bem no fundo de seu coração, que ela era mais velha do que a primeira. Por isso, às vezes, ele a imaginava com as vestes e as faces de suas antigas professoras do colegial ou mesmo com a aparência de suas tias preferidas. Aquelas mesmas que sempre escolhiam livros como presente de aniversário ou natal. Enfim, ela era a sua companheira do dia a dia. Aquela que sempre estava presente quando ele decidia que roupa deveria vestir e que papel desempenharia perante as outras pessoas.

Ele se virou, e quase conseguiu imaginar o vulto que, de leve, corria para trás dele e sussurrava em seu ouvido.

— Quem realmente é você?

Essa era a pergunta o acompanhava para onde quer que ele fosse. Se fosse dar uma aula, ele assumiria a postura de um professor. Mas ele não era um professor, ele estava apenas personificando um. Na empresa, quando andava rápido com os sapatos repicando no chão, ele escutava de novo a mesma pergunta. Então sabia que naquele momento ele estava como um profissional, um trabalhador. Mas nada respondia quem realmente ele era.

Quem realmente é você?

Então, ele apenas sorriu de novo e terminou de engolir o restante da água que agora aplacava a sede que seu corpo sentia. Agora, totalmente desperto, ele só pôde fazer aquilo que sempre fazia. Foi até o escritório, ligou o computador e começou a escrever as ideias que pairavam à sua volta.

A música baixa no seu fone de ouvido ditava o tom de seu teclar e então, como se fossem mariposas atraídas por uma vela, as ideias surgiram em revoada e ele acabou despejando letras, palavras e frases em um papel falso, criado por um apanhado de zeros e uns, suspensos em seu monitor.

— Que saudade da minha Olivetti. — Suspirou saudosamente. Então, afastou a memória antiga com um balançar de cabeça pois relembrou da dificuldade que era manipular o papel e desenroscar as teclas tortas da velha máquina de escrever.

Naquele momento ele se iludia e pensava que pelo menos aquela noite, a última delas não apareceria. Que a terceira e derradeira pergunta iria finalmente dar uma folga para ele. No entanto, ele sentia, bem lá no fundo, que isso era uma mentira pois aquela dor que o acordara fora feito por uma unha imaginária. Uma unha afiada como uma garra e venenosa como a ponta do rabo de um escorpião.

Então ele sentiu que podia escutar um arrastar que se encaminhava da cozinha para o corredor, e do corredor para o escritório. Era por causa desse “som” imaginário que ele sempre a considerava usando aqueles antigos chinelos de camurça cheio de mofo e um penhoar antigo e desbotado.

Para ele, ela era enrugada e cheirava como se fosse aqueles velhos pacientes que todos sempre esbarram quando tem de visitar alguém no hospital. Então ele nem se virou e nem se mexeu. Não precisava, pois diferente das outras, ela o enlaçou por trás, como se fosse um vento gélido que entra de mansinho pela fresta da janela apenas para lembrar que até mesmo o calor é passageiro. E assim, estalando os poucos dentes que ainda tinha na proverbial boca, perguntou:

— Porque você existe nesse curto período de tempo, se tudo o existe está preso entre duas enormes eternidades?

Ele sempre odiava quando ela fazia isso. Na realidade as três perguntas, mesmo sempre presentes, o incomodavam demais. Isso só acontecia porque ele não tinha as respostas finais e, bem lá no fundo, ele sabia que só iria entender o que cada uma delas falava, quando às encarasse uma última vez antes de morrer.

Pra onde vamos quando tudo acaba?

Mesmo assim, por muito tempo ele procurou nos livros por respostas que pudessem aplaca-las. Inicialmente ele só queria saciar sua curiosidade. Depois de um tempo, só desejava passar por uma noite decente de sono.

A princípio, ele achava que estava sendo visitado por Hécate. Principalmente porque a deusa grega dos caminhos era representada com três corpos e três faces que simbolizam a virgem, a mãe e a velha senhora. Era assim que ela tinha o poder de olhar para as três direções e ao mesmo tempo, ver o destino, o passado que interferia no presente e as coisas que poderiam prejudicar o futuro de cada um.

Mas Hécate personificava apenas uma pequena parte das três perguntas. Assim, chamá-la por apenas um nome não fazia sentido nenhum. Seria o mesmo que acorrentar o vento ou, colocar em uma gaiola, a sua imaginação.

Em um outro livro de símbolos, ele descobriu que a donzela também representava o despertar da sexualidade, a primavera e o início dos tempos. E tantas outras deusas, tais como Afrodite, Eostre, Ártemis, Atena, Perséfone e Diana assumiam esse aspecto. Ela era aquele ser feminino que não foi afetado pelas expectativas sociais e culturais determinadas pelo sexo masculino. Por isso tinha muito a ver com a infância e adolescência da mulher onde ela ainda é, ela mesma. A donzela ainda não sabe usar as máscaras sociais e por isso, ainda não havia perdido sua inocência.

No mesmo livro era apresentado o aspecto da mãe, que também podia ser considerada como amiga, guerreira, professora ou irmã. Esse é o aspecto da mãe natureza e também da criadora e doadora da vida de todas as coisas animadas e inanimadas. Ela representa o verão e tantas outras deusas assumem seu papel. Deméter, Isis, Nut, Hera, Danu, Selene e sua favorita, Gaia. Todas elas se referem ao mito universal de divindade feminina relacionada à natureza, aos ciclos e à Fertilidade. Uma presença que representa a reflexão sobre o poder do patriarcado, o equilíbrio e a maneira como podemos admirar as mulheres fortes que influenciam a nossa vida.

E por fim, relutante, foi ele ficou sabendo mais sobre a anciã. Aquela que guarda o conhecimento oculto, os mistérios da sabedoria mágica, o submundo, a sombra e todos os segredos que só a idade pode proporcionar. Por isso a sua imagem está associada ao inverno e a deusas assustadoras como Hécate, Kali, Baba Yaga e Ceridwen assumem seu manto. Mas ela também é a avó benevolente. A mulher sábia, mais poderosa que a mãe. A bruxa que guarda segredos e que, por causa da idade, acumulou mais experiências do que todos.

Temor e respeito.

Esse segundo livro o ajudou a entender um pouco mais dos aspectos que sentia. Mas nada explicava realmente quem ou o que eram as três perguntas, e principalmente, quais respostas elas queriam escutar.

Por isso que ele desistiu de procurar. Pois agora ele sabia que elas representam as Fúrias, as três que são uma. As poderosas, bondosas e assustadoras perguntas que rondam todos os seres humanos desde o momento que eles abrem os olhos no berço, e se afastam no momento final em que cada um fecha os olhos para a vida. Pensando bem nisso. Elas estavam ali para relembrá-lo sobre sua condição finita. Para assim deixá-lo preparado para o que aconteceu, o que está acontecendo e o que vai acontecer.

Pensando nisso, ele então relembrou que recentemente mais um pequeno pedaço das respostas surgiu em sua vida. Mais um pequeno fato o ajudou a responder um pouco mais de cada pergunta, de cada pequena parte desse infinito quebra-cabeça.

Com a manhã já se avizinhando, as três se aproximam como se fossem uma e sussurram suas perguntas mais uma vez no fundo de sua mente. E, enquanto aguardam, ele resolve responder o que seu coração aponta.

Escrever revela perguntas e ajuda nas respostas.

— Porque você está aqui? — Questiona a primeira, abrindo logo depois um cálido e jovial sorriso.

— Eu estou aqui para contar histórias sobre o mundo. Eu estou aqui apenas para criar mais um pequeno pedaço desse imenso sonho que chamamos de humanidade. — Responde ele. — Da mesma maneira que eu sonho com os mundos que outros criaram, um dia outros sonharão com meus mundos.

A primeira pergunta então joga um beijo e se afasta. A próxima então se aproxima.

— Quem realmente é você? — Pergunta aquela voz cálida que aquece o coração e dá forças para responder.

— Eu sou um escritor. — Responde ele com a voz embargada. — Ainda não sei o que isso representa por completo ou o que posso fazer pelo mundo. Mas a cada dia que vocês me visitam, essa resposta se torna mais clara.

Ela então faz uma mesura e se afasta, deixando para trás as lembranças e saudades de sua mãe. No entanto, a sensação não dura muito tempo e se dissipa com os primeiros raios do sol. Então, das últimas sombras ele sente um cheiro de musgo misturado com segredos e aquela sensação fria e pesada faz a última pergunta.

— Então porque você existe nesse curto período de tempo, se existem duas enormes eternidades antes do nascer e depois do morrer?

O escritor tenta responder e engasga. Então, depois de interromper seus pensamentos dissonantes e seu medo, ele consegue refletir sobre todos os anos que percorreu, sobre todos os erros que cometeu e principalmente, sobre todas as escolhas que tomou.

Ele se lembra dos seus sonhos de infância. Dos primeiros concursos de poesia no colégio. Dos primeiros textos escritos em coletâneas. Dos primeiros cursos desenvolvidos com seus pares. Então ele se lembra de como recentemente, recebeu um convite pela internet. Um convite para que, de uma maneira lógica e mágica ao mesmo tempo, ele pudesse se conectar com pessoas e sentimentos tão diferentes, mas que buscavam realizar a mesma coisa.

Então, criando coragem, ele se levanta e num último impulso se aproxima sem medo da sombra que se esvai, para assim responder:

— Estou presente neste momento porque vocês me colocaram aqui. Vocês, as bondosas sem face. Aquelas que fiam, atam e cortam o fio da vida me escolheram para que eu me encontrasse com outros escritores. Trocando minhas experiências e dividindo meus medos. Ou seja, eu existo porque eu tenho uma missão. Foi por isso que eu escolhi escrever, e foi por isso que eu aceitei esse legado. Porque nenhum homem é uma ilha e ninguém sabe de tudo. Só assim, junto de outros como eu, poderei cumprir a missão que me foi dada.

A última sombra então desapareceu por completo, deixando para trás apenas a sensação de um mistério que ainda deveria ser desvendado. E, enquanto o sol despontava no céu e sua esposa começava a revirar na cama, o escritor sentiu que havia finalmente encontrado mais um pedaço da meada, mais uma parte do fio da história que estava escrevendo e sendo escrito enquanto vivia.

Uma história formada por tantos outros como ele. Outros escritores que aceitaram o chamado das furiosas. Um chamado assustador e misterioso que pode revelar as respostas que sempre rondam as nossas vidas.

E você? Já recebeu a visita de alguma delas hoje?

Porque escrever e refletir é preciso. Sempre…

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Encontre sua própria voz.

O simples título desse texto representa um dos maiores desafios daqueles que escolheram escrever suas próprias historias. Por isso, vou usar uma das canções favoritas do filme “Moana” como um bom exemplo para refletirmos nesse capítulo.

A letra da música foi criada por Lin-Manuel Miranda e Mark Mancina. Interpretada por Auli’i Cravalho, Mateus Ineleo, Olivia Foai, Opetaia Foa’i e Vai Mahina.

E ela diz:

“Atravessei o horizonte para te encontrar
eu sei o seu nome

Talvez eu tenha roubado o coração de dentro de você
Mas isso não significa que você
Não é quem você é

Você sabe quem você é”

Lindo não? No momento que acontece essa parte da história, Moana descobre que o principal “monstro” da história também é o objetivo que ela estava buscando completar. Salvar a deusa Te Fiti.

Para fazer isso ela antes teve de fazer algumas coisas:

1. Escutar o chamado do mar;
2. Descobrir sua coragem interior;
3. Entender que ela é uma exploradora;
4. Aceitar a sua “missão” e tenha cuidado com os monstros:
5. Encontrar quem poderia ajudá-la e por fim;
6. Encarar o monstro da história.

Esses passos são ótimos resumos quando pensamos no ofício da escrita. Antes de discutirmos caso a caso, devo comentar que o tempo, ou mesmo a ordem, que cada um faz depende apenas dele mesmo. Então vamos conversar mas, nada de ficar comparando o que você fez com o que os outros fizeram. OK?

 

1. Escute o chamado do mar:

O primeiro item, apesar de tudo, acaba sendo o mais fácil. Se você está lendo esse texto sobre reflexões de um escritor ou, se você já leu qualquer outro material sobre processos de escrita, é porque o mar da escrita já te chamou e você está inquieto. Interessado em saber mais, em saber como você pode aplacar essa vontade de colocar suas histórias, todas elas, no papel ou no arquivo de texto de seu computados.

Então olhe para a linha do horizonte, onde as águas terminam e comece a pensar sobre como seria escrever nas suas horas vagas, nas noites mal dormidas, nos momentos que o sonho parece mais forte que você ou mesmo, quando aquela idéia marota não para de aparecer aonde quer que você olhe.

Então aproveite o chamado e escreva, escreva muito. Mas não jogue fora o que criou. Guarde, coloque em uma pasta no fundo da gaveta. E nunca deixe de escrever.

 

2. Descobra sua coragem interior:

Agora vamos a uma das partes mais difíceis. Descobra sua coragem e se prepare para dizer “obrigado” para todas as críticas que você receber. Lembra que você encheu uma gaveta de palavras, contos, poesias e sonhos?

Então. Pra testar sua coragem você precisa colocar em prática a sua capacidade de se arriscar e engolir todo o seu orgulho. Comece mostrando seu texto para algumas pessoas e escute delas suas críticas. Sim. Isso mesmo. Críticas.

Agradeça os elogios, mas lembrem-se que eles só vão te levar pra uma caverna úmida no final da canção. Você precisa encarar as críticas e aprender com elas. Isso porque o mundo é vasto e as oportunidades são maiores.

Alguem não gostou do seu texto. Pergunte porque. Pergunte onde ele mexeria. E depois reflita e estude. Faça de novo. Não pra ele. Mas pra você!

E não se esqueça de agradecer! 😉

 

3. Entenda que você é um(a) explorador(a):

O ser humano é um bicho que pensa que pensa. E por causa disso nós pensamos muito! Pensamos sobre o que existe além do morro, além das cidades, além das estrelas.

E por isso saímos para explorar e buscar encontrar quem nós somos realmente. Então entenda que esse chamado da escrita é o mesmo chamado que impulsiona um pintor, que movimenta os pés de um explorador, que motiva um empreendedor a criar seu negócio.

Nós somos exploradores. E por isso nós sempre vamos buscar novos lugares. Então, como um escritor, explore as possibilidades. Escreva contos, artigos, poesias, histórias Scifi, histórias hot. Misture personagens diferentes de outros escritores. Corte pedaços de outras histórias. Veja porque o diálogo do escritor que você tanto gosta é tão gostoso de ler. E porque a história de outro livro é tão chato pra você.

Entenda quais são as tábuas que formam seu barco. E assim entenderá quais técnicas você mais deve usar para encontrar sua própria voz. Então explorar é preciso, sempre.

 

4. Aceite a sua “missão” e cuidado com os monstros:

Estou usando como exemplo desse item uma das músicas mais divertidas do filme Moana que também é uma das cenas de maior “perigo” para a personagem. Nessa cena Moana encara o monstro Tamatoa. Um caranguejo gigante cheio de si, que adora dizer que ela está errada, que a avó dela mentiu e que ele está certo porque é brilhante.

Então. No caso do caminho da escrita. Se prepare para encontrar muitos Tamatoa’s pelo caminho. Digo isso porque eles se reproduzem com rapidez e sempre podem ser encontrados nas convenções, eventos literários, cursos e grupos de amigos.

Eu estou falando daqueles “amigos” ou parentes que sempre te dão orientações, sempre dizem que você está no caminho errado, que sempre falam que você não tem jeito e que escrever é uma loucura.

“Seja quem você é por dentro
Eu preciso de três palavras para rasgar seu argumento para além
Sua avó mentiu!
eu preferia ser Brilhante”

Então cuidado com quem fala demais, brilha demais e na realidade é um monstro. Mantenha sua visão, siga a missão de ser escritor e continue.

 

5. Encontre quem possa te ajudar:

Esse parte é óbvia mas é difícil.

Então pense agora. Quem é o escritor, profissional ou editor que pode te ajudar? Ajudar com dicas, com novas leituras, com técnicas pra você melhorar?

Pode ser um amigo, um parente ou mesmo um autor de livro. Encontre, escute e aproveite suas dicas.

Mas lembre-se. O Caminho é seu. E só você pode encarar os seus desafios.

 

6. Encare o verdadeiro monstro da história:

Por mais difícil que seja, você deve encarar que o verdadeiro monstro está dentro de você.

Ele é a sua falta de coragem. Seus medos de não saber escrever. Sua mania de comparar outros escritores com você. Sua preguiça.

Agora, de verdade. Pense e responsa profundamente. Quem é você?

Saber responder essa pergunta é o maior desafio que existe. É ele que impele você na busca de ser um escritor. É ele que molda suas escolhas.

Aprenda a domar o monstro. Transforme-se. Escreva e por fim. Descubra que a sua voz muda a medida que você cresce.

Você já é um escritor. Sempre foi.

Você só precisa sentar a bunda na cadeira e escrever. Da maneira errada ou certa. Aprendendo com os erros, fugindo dos monstros e explorando as possibilidades.

Então escute o mar, busque sua voz.

Escreva…

Esse artigo faz parte de um livro que está sendo desenvolvido pelo escritor JBAlves.
Para acessar os capítulos prévios acesse gratuitamente o Wattpad CLICANDO AQUI.

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Tudo é passageiro, até mesmo as letras.

Como diria Fernando Pessoa. A passagem do animal é que fica lembrada no chão. O voo da ave passa e esquece, e assim deve ser. A recordação é uma traição à Natureza, porque a natureza de ontem não é Natureza. O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Mário Lago por sua vez diz que o tempo não comprou passagem de volta. É por isso que devemos ter lembranças e não, saudades.

Pois o correr das águas, a passagem das nuvens, o brincar das crianças, o sangue nas veias. Tudo isso, segundo Hermann Hesse,representa a música de Deus.

Apesar disso, muitos citam Dostoiévski e dizem que se o mundo fosse um trem; se a vida fosse uma passagem, se Deus existisse e eles se encontrassem com Ele, então devolveriam o bilhete.

Lya Luft soube resumir bem a razão disso. Pois toda dor eventual é o preço da vida. É a passagem, o seguro e o pedágio.

Coetzee sabia disso quando disse que nada é tão moderno quanto nós ao nascermos. E que dá  sim pra escolher. Todo dia, ao levantar da cama, procure se lembrar: dá pra escolher. Ninguém está jogado ao léu, nas mãos do destino. Não temos controle sobre tudo, mas dá pra escolher entre ter amigos ou viver recluso, dá pra escolher entre privilegiar um amor ou ter vários casos superficiais, dá pra escolher entre participar ativamente de um projeto que alavanque nosso bem-estar ou ficar de fora apenas criticando, dá pra escolher entre se refugiar num lugar tranquilo ou aprender a lidar com o stress urbano, dá pra escolher entre levar a vida com bom-humor ou levar a vida na ponta da faca.

Todas as decepções são secundárias. Pois segundo Romain Rolland, o único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos.

Então se vocês estivesse tendo análise com Freud, ele diria que se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.

Ao mesmo tempo, na eternidade, Voltaire sempre nos lembra que esse é o momento que se aproxima suavemente, o momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino.

Então temam menos a morte e mais a vida insuficiente, grita Bertolt Brecht no fundo.

Porque não difícil escapar da morte. Todo soldado sabe disso, basta sair fugindo. O mais difícil é escapar da maldade, pois ela é mais rápida que nós, já dizia Sócrates.

Então pense bem na frase do grande Carlos Drummond de Andrade. Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Finalizo então nossos votos por um novo 2017 com uma passagem do Manifesto Holstee. Essa é sua vida. Faça o que você ama, e faça com frequência. Se você não gosta de algo, mude. Se você não gosta de seu trabalho, saia. Se você você não tem tempo suficiente, pare de ver tv. Se você está procurando o amor da sua vida, pare; ele estará te esperando quando você começar a fazer coisas que ama.

Pois tudo é passageiro, até mesmo as letras. Então aproveite cada minuto, cada hora e cada novo ano que você vê nascer. Estes são os votos do Criador de Mundos para todos vocês!

Feliz Ano Novo
Glückliches Neues Jahr
Nytar
Feliz Año Nuevo
Felicigan Novan Jaron
Heureuse Nouvelle Année
Feliz Aninovo
Shaná Tová
Happy New Year
Felice Nuovo Anno
Akemashite Omedetou Gozaimasu

 

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Para refletir…

Um escritor amigo meu comentou algumas palavras poderosas hoje. Ele disse:

“Fiz um trabalho social em Kibera, uma comunidade no Quênia, considerada hoje a maior favela do mundo. Foi lá que comecei a perceber que as desgraças de Angola são miúdas na realidade de muita gente. Nunca mais lamentei pelo pouco que tenho. Pela família abençoada em que fui nascido. Pela guerra que acabou no meu país… Se você acha que sofre, então tira um tempo da sua vida e passa pelo Sudão, Somália, Kenya… Visite os países da África Central.”

 

Esse comentário me fez refletir e ter certeza que também sou abençoado pela família que tenho, pelas oportunidades que me aparecem todos os dias e pelos contos e livros que tenho a chance de escrever.

Sendo assim, não vou ficar preocupado com o que pode ou não acontecer com a política mundial. Ou mesmo com o que os outros ficam falando por aí. Vou ficar preocupado por aquilo que posso ou não realizar, principalmente tendo tudo o que tenho hoje.

E tenho dito!

* Kibera é o nome de uma comunidade localizada no Quênia. É considerara a maior favela do mundo, com cerca de 2,5 milhões de habitantes. Este assentamento informal é o lar de um quarto da população da capital de Nairóbi e é composta de 12 municípios que são flagelados pelos mesmos problemas de pobreza, sanitarismo precário e saúde ambiental, “construções temporárias” e HIV/Aids pandêmica.

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Geeks! Pessoas loucas e extraordinárias.

  • Refletindo sobre o termo GEEK:

Existem diversas matérias sobre o que significa ser Geek. Muitas delas inclusive são compartilhadas e recopiadas por toda a matrix. No entanto, a maioria tenta apenas explicar qual a “verdadeira” definição da palavra Geek e principalmente qual a sua diferença em relação ao termo Nerd.

A atenção dispendida sobre esse assunto é tanta que resolvi comentar um pouco mais sobre um outro ponto que acho bem mais relevante. Como muitas dessas pessoas extraordinárias que se consideram Geeks, podem fazer a diferença no nosso modo de vida.

É claro que precisamos começar de algum ponto. Então vou apenas comentar uma classificação que os dicionários dizem ter relação ao termo Geek e discorrer a partir daí:

  1. Geek é um expert, um entusiasta da tecnologia digital (termo usado com orgulho como auto-referência, mas muitas vezes usado depreciativamente por outros).

Diante dessa frase podemos interpretar então que um Geek é uma pessoa que gosta. Se dedica a entender e até a se especializar no uso ou no desenvolvimento de tecnologias digitais. Além disso é alguém que adota o termo “Geek” com orgulho e não liga para o que as outras pensam dele. Mesmo que usem o termo de forma depreciativa.

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Cena do Filme – Matrix Reloaded

  • Primeiro ponto importante. O que seria essa tecnologia Digital?

Bem, são tecnologias que surgiram no século XX e que vêm revolucionando a indústria, a economia e toda a sociedade desde então. São formas de armazenamento e de difusão de informação que alteraram a maneira como a humanidade trata seu passado, seu presente e seu futuro.

Isso ocorre principalmente porque arquivos digitais podem ser copiados e difundidos, sem a garantia de que permaneça a marca de um “ dono original”. Isso para alguns é visto como “pirataria” mas para outros é uma forma de aumentar ainda mais o acesso e a disseminação de informação. Enfim, como sempre existem dois lados da moeda e infinitas interpretações.

De qualquer maneira, podemos afirmar que a tecnologia digital permitiu descentralizar a informação, aumentar a segurança de uma série de dados fundamentais e criar novas e maravilhosas tecnologias. E que também a tecnologia digital é o contraponto da tecnologia analógica que sempre dependeu de meios materiais diferentes para existir.

Em resumo, as tecnologias digitais estão presentes em nossos celulares, computadores, televisões, livros digitais e na Internet. Sendo assim, se você usa um desses itens pra trabalhar, se divertir e principalmente, aprender mais sobre o mundo e você mesmo, eu devo dizer, você é um entusiasta ou mesmo um expert dessa tecnologia. Então só falta adotar o termo “GEEK” com orgulho!

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Muitos já adotaram a “moda” de ser Geek.

  • Porque adotar com orgulho o termo GEEK?

Achou estranho essa pergunta? De novo então. Porque você adotaria um termo que muitos consideram ser a classificação de pessoas excêntricas, fãs de tecnologia, games, histórias em quadrinhos, livros, filmes e muito mais?

Exatamente por isso! Porque o termo “excêntrico” e “Geek”, se usado sem malícia pode resumir muito bem “alguém que está interessado em um assunto intelectual ou complexo e que faz disso a sua própria causa”.

E isso já vem acontecendo. O filme A Rede Social de 2010 que conta a história do Facebook, mostrou que os termos geek e nerd já são associados a pessoas bem-sucedidas como Bill Gates, Steve Jobs e Mark Zuckerberg. Em outro momento uma reportagem da revista New Scientist disse “Um recado a quem quer ser presidente: contrate geeks, não eruditos”.

Enfim, tem havido uma mudança no sentido atribuído aos geeks e atualmente muitos acreditam que o termo caracterize alguém que tenha um conhecimento aprofundado de uma determinada área, de alguém que seja um verdadeiro apaixonado por um assunto. Assim,  em geral, o termo geek vem sempre acompanhada de outra descrição, como “geek dos games”, “geek da história”, “geek da música” ou mesmo “geek da cozinha”.

Mesmo o autor britânico Neil Gaiman (criador da série Sandman) comentou uma vez que estava fascinado pela rapidez com que as palavras Geek e Nerd ganharam um novo sentido na Grã-Bretanha desde os anos 1980. Originalmente esses termos eram ofensas, mas foram incorporados pelos ‘ofendidos’ como uma honra.

Sendo assim, mais e mais pessoas estão virando entusiastas dessa classificação e dos interesses associados a elas.

  • Mas isso não é apenas mais uma modinha?

b341f194db42b23705de395fe630d607É verdade que hoje em dia, várias marcas estão aproveitando para ganhar dinheiro com a exploração dos termos nerd, geek, hipster, etc. No entanto, o que realmente importa é que muitas dessas pessoas, principalmente aquelas que adotam os assuntos intelectuais e complexos são as vêm mudando o planeta.

Pense da seguinte maneira. O que livros de fantasia e scifi discutem? Ou filmes como Star Wars e Startrek? Ou os jogos mais avançados? Em sua grande maioria eles nos apresentam diferentes possibilidades do que estamos fazendo com o mundo hoje. E é essa reflexão e mudança de atitude que importa!

Dificilmente muitos dos universos utópicos ou distópicos apresentados nos filmes e games irão acontecer no nossso tempo de vida. No entanto, nossos filhos e netos irão experimentar um mundo diferente do nosso. E a possibilidade dele ser bom ou ruim só depende da nossa capacidade de saber usar da tecnologia e da informação, para transformar o planeta e nós mesmos. Por isso que é importante essa discussão, e por isso que é importante abraçar de forma apaixonada as coisas que você faz. Independente da área que você escolher.

  • Então todo mundo pode ser um Geek?
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Geek é uma pessoa apaixonado pelo que faz!

Sim! Todo mundo é um pouco Geek! Tudo depende de como você se identifica com alguma tendência que use da informação e tecnologia. Mas no mundo moderno de hoje, todo mundo tem um pouco de Geek dentro de si. Uma curiosidade sobre isso, em 2013 Burr Settles, um engenheiro de softwares, estudou 2,6 milhões de postagens no Twitter para fazer uma associação entre as palavras mais utilizadas na associação dos termos Nerd e Geek. O que ele descobriu foi que “nerd” estava mais relacionado as palavras “SUDOKU”, “PALESTRAS” e “OXFORD”, ou seja, nerd é aquele que estuda muito. Já “Geek” teve relação com as palavras “CULTURA”, “TECNOLOGIA” e “iPOD”, o que significa que o termo é dado a pessoas apaixonadas pela informação contida nos games, filmes e tecnologia.

Esse método serviu para mostrar que a visão das pessoas em relação a esses termos é algo orgânico e mutável e que vem sendo adotado cada vez mais. Hoje já podemos encontrar o “sports geek” que define alguém fascinado por esportes a ponto de estudar a fundo o assunto.

 

Enfim, ser nerd ou geek deixou de ser estranho, porque estes termos ficaram massificados. Isso não quer dizer, entretanto, que o preconceito caiu por terra. Estes termos não fazem das pessoas melhores ou piores: apenas as faz lidar de modo diferente com determinadas situações. Estamos vivendo uma revolução do termo. Resumindo, ser geek, é ser apaixonado pelo que faz, é ter opinião própria.

Então aproveite a onda, agarre com força sua paixão e mude o mundo com ela. Pode ser na moda, nos games, na literatura ou mesmo nas formas em que fazemos negócios! O mundo precisa de pessoas que fazem as coisas diferentes.

Falando sobre isso, devo citar uma passagem da poesia criada pela escritora de Avany Morais.

Falar de loucos é falar de sábios!
Posto que, loucos veem além da visão…
Sentem nos lábios a essência da vida
E discordam, sem pedir permissão.

Loucos… Precisamos destes loucos
Para virar a mesa, jogar o jogo bruto,
Mudar o mundo, as regras, não aos poucos,
Mas mudar abruptamente, num espaço curto.

geeks

Isso aí! Os loucos são os sábios. São os Geeks. São aqueles que revolucionam o mundo, que fazem o mundo sair da mesmice e do marasmo.E se no final você não concorda com a minha afirmação. Então só reflita sobre a seguinte frase que já foi atribuída ao cientista Albert Einstein e a escritora Rita Mae Brown.

Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.

Então faça diferente, faça de forma apaixonada e não ligue para o que os outros pensam. Seja Geek!

E para concluir. Como já disse Bill Gates: “Seja simpático com os estudiosos – aqueles estudantes que os demais julgam como uns idiotas. Existe uma grande possibilidade de vocês virem um dia a trabalhar para eles”

E sempre que estiver precisando de inspiração. Acesse www.radiogeek.com.br e participe desse movimento!

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Para refletir…

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A vida é breve.
Nada vence o tempo.

As memórias desvanecem.
Nada perdura.

Apenas o pouco que criamos pode continuar.
Como um eco, um reflexo.

Uma sombra do que se foi.

 …

 

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Wolfsong

Uma mãe lobo invade a toca de um caçador e leva de volta seu filhote.
Ela só não consegue imaginar que ele agora, não passa de mais um troféu imóvel e sem vida.
Eis aqui uma animação emocionante.

Créditos:
Música de Denny Schneidemesser (dennyschneidemesser.com)
Oboe por Kristin Naigus
Som por Glenn Hafagre
vozes por Lucien Dodge e Karen Kahler

 

 

Emocionou? Ficou inspirado?
Então compartilhe e reflita…

 

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Quando a lança mais afiada encontra o escudo invencível.

As histórias sempre me ajudam no processo de reflexão. E hoje em particular, me lembrei de uma história que consta no livro do filósofo chinês Han Feizi, obra publicada há cerca de dois mil anos atrás.

Como gostaria de dividir com todos a reflexão, a história é a seguinte:

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A última hora na vida de um Nerd.

Recentemente finalizei mais um conto no Wattpad intitulado “A última hora na vida de um Nerd” onde levanto a seguinte pergunta:

O que você faria se soubesse que o mundo vai acabar? Pior, quais pensamentos você teria se soubesse que tudo o que você gosta, vai desaparecer em apenas uma hora?

O que você faria numa situação dessas? Foi exatamente isso que fiquei pensando.

Leia mais

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EXTINÇÃO GLOBAL.

Acesse de graça o conto de humor e scifi onde apresento algumas das criaturas mais poderosas já concebidos na literatura, os grandes monstros citados no Mito de Cthulhu do escritor H.P.Lovecraft.

Criaturas consideradas como deuses por causa de seu imenso poder apresentados de uma maneira diferente e um tanto que “inocente”. Para mais, acesse o meu perfil no Wattpad clicando AQUI .

Desejo a todos uma boa leitura!
E fico no aguardo de seus comentários. 😉

 

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