Posts

,

Reflexão do Dia.

nuclear-bomb

“Quando nós somos os monstros, nós temos o poder e o direito de mudar o mundo. Só então podemos transformar a natureza e todos os seres vivos em produtos, materiais para pesadelos e armas de destruição em massa. Mas só quando nos tornamos monstros. Certo?”

Leia mais

,

Por um pouco mais de consciência…

tribo

Li uma vez que um antropólogo fez uma brincadeira com as crianças de uma tribo africana.

Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que a primeira que chegasse na árvore ganharia todas as frutas.

Dando o sinal, todas as crianças saíram correndo ao mesmo tempo. Então sentaram-se juntas para aproveitar da recompensa.

Quando o antropólogo perguntou porque eles haviam agido desta forma, sabendo que um deles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam:

“Ubuntu. Como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?”  Leia mais

, , , , ,

Aquele que interrompe o fluxo dos rios.

“Uma vez que você elimina o impossível, qualquer que seja o resultado,
não importa o quão improvável, deve ser a verdade.”
Sir Arthur Conan Doyle


Capítulo 1: A Criptozoologia.


Map of World Mythology-Design by Simon E. Davies


É com muito interesse e até mesmo orgulho que inicio a descrição dos resultados da nossa primeira missão científica que, antes de tudo, sempre foi considerada por nossos estimados colegas da academia como uma inútil caçada a velhos ossos e mitos infundados.

Eu compreendo que é fácil duvidar daquilo que nós não conhecemos ou mesmos não temos provas empíricas. No entanto, para mim, crer apenas naquilo que já foi provado, sem nenhuma nova descoberta ou inovação, não tem valor algum.

E foi bem por causa disso que desde o início, a nossa instituição sempre buscou extrapolar as possibilidades do pensamento corrente, sem nunca se esquecer, é claro, de combater o charlatanismo e a falta de interesse científico.

É de nosso total interesse a manutenção de nossa respeitabilidade através das aplicações e técnicas do mais alto valor catedrático e científico. E é assim que sempre buscamos avaliar as inúmeras ideias e informações que recebemos de nossos pesquisadores espalhados por todos os lados do globo. Leia mais

, ,

Tem alguma coisa debaixo da minha cama!

Que medo!

Que medo!

 

Amanhã definitivamente eu vou buscar o aconselhamento de uma bruxa. Isso mesmo!

Eu vou procurar a bruxa mais feia, verruguenta e nojenta praticante das artes obscuras de todo o pântano do esquecimento. Tenho certeza que ela vai conseguir me indicar uma poção especial, daquelas boas que misturam olhos de peixe cego, escamas de dragão ou cabeças de serpentes albinas. Leia mais

, , , , , , ,

Aproveite a Sexta-Feira 13 e leia o Ebook “CONTOS DE TERROR”!

cat

A antologia Contos de Terror da fábrica de ebooks organizado por Ademir Pascale está Online!

E eu estou participando com um conto intitulado Sonhos Corrompidos que foi claramente inspirado nos mitos de Cthulhu criados pelo grande H.P.Lovecraft

Segue abaixo uma pequena passagem:

“Um desenho tosco, enegrecido pelo tempo, mostrava o que parecia ser um monstro com longas e afiadas garras, recoberto com uma pelagem semelhante a um carneiro. O livro maldito Airequecê Ao chamava aquilo de Devorador de Sonhos e, segundo ele, era uma criatura que vagava por dimensões adjacentes à nossa, só esperando que alguém os atraísse com emoções muito fortes.

ao-aoEle normalmente aparecia perto de alguma sombra e gostava de atacar as pessoas que estavam próximas de lugares escuros tais como uma floresta, um quarto ou mesmo um armário entreaberto. Um de seus nomes é derivado do som que faz com seus cascos quando se prepara para perseguir suas vítimas e ele é descrito como um canibal devorador de gente que gosta de perseguir os infelizes humanos por qualquer distância e em qualquer território, não parando até conseguir sua refeição.”

O link para download gratuito está no fim do texto do site da fábrica de ebooks ou você pode fazer o download abaixo.

Download PDF: Clique aqui
Download Epub: Clique aqui

Não deixe de ler hoje esse “presente” de sexta-feira 13. Vai ser de arrepiar! 😉

 

, , ,

A visita de um Teratoma.

image

Uma noite ela surgiu. Vinda de um buraco escondido na realidade de minha sala. De um reboco mal formado da parede por onde escapavam minhas felicidades. Era uma noite fria e chorosa. Daquelas que o vento sempre bate com força nossas janelas, fazendo-nos soluçar de susto.

Por um sibilo ela se apresentou, sábia e solitária, soturna e sanguinária essa gentil senhora disse palavras piedosas a meus ouvidos. Era ao mesmo tempo, lânguidas promessas e parcas oportunidades, belos sonhos e horríveis pesadelos.

Ela se apresentou como uma sobrevivente do século passado. Observadora e curiosa, esquiva e latente ela me revelou que seu segredo de longevidade era roubar da essência masculina dos que não nasceram. Gota a gota esse estranho elixir lhe preservava a vida, afastando-a da sanidade.

Sua solidão era palpável. Suas belas irmãs haviam à séculos se transformado em pó, e a única coisa que a permitia viver sem elas era o palpitar de seu coração cheio do pó de cada uma.

Antigamente ela era dependente das conquistas das irmãs, mas, com o passar das décadas elas envelheceram enquanto o teratoma manteve-se inalterado, talvez seja o que a medicina moderna chama de câncer, células imortais que tardam a deixar o corpo do qual vieram.

Ela, ao contrário de qualquer tumor benigno, se alojara entre suas velhas irmãs enquanto consumia os corpos deixados no crematório, cada pequena partícula de pó se unia a ela lhe permitindo agora caminhar sem a necessidade de sua tão antiga trigeminalidade.

Agora, sua vida consistia em percorrer o mundo através das fendas abertas pela sociedade, pelas feridas das paredes, pelos buracos no vidro e pelas passagens do aço. Levando a seus “clientes”, a chance de elevarem seus nomes à monumentais caminhos.

Era isso que ela me prometia. Se lhe permitisse sugar de minhas sementes, ela me entregaria o periódico que sempre procurei escrever, me permitindo percorrer os caminhos onde poucos homens passaram, o caminho de ouro do reconhecimento mundial e do sucesso.

Um frenesi mundano abalava fundo meus ossos. Pois meus sonhos não são belos, nem honestos, como todo homem mundano sempre sonhei com conquistas e poder, com meus desejos sendo realizados enquanto vivo.

Mas, permitir que minha semente, minha esquiva parceria, errática e maculada, fosse retirada de meu ser para embalá-la mais algumas décadas era mais que meu pobre estômago poderia resistir.

Vomitando meus medos no piso de minha sala eu tentava me controlar. Diferente de meu antecessor, ela não enviara uma misteriosa carta negra se apresentando. Sua presença fétida era nítida perante meus olhos. Acho que os anos lhe retiveram a vida mas não a paciência.

Ela precisava de minha ajuda e me prometia entregar o trabalho que nenhum lápis, pena ou caneta poderia escrever, me permitindo ladear os inesquecíveis exemplos literários de meu país e do mundo.

O buraco em que se estreitava quase não cabia seu corpanzil disforme, sua pele rala e esburacada escondia bem mais que deformidades humanas, ela na realidade, revelava nosso interior, a verdadeira face do homem sem seu verniz de pretensa humanidade.

Ela insistiu, me pedindo para beber de seu elixir vital. Me olhando com órbitas fundas e vazias ele me sibilou todos os sucessos que alcançaria minha medíocre realidade.

Continuando nessa ladainha interminável minha consciência foi se apagando, nesse momento concordei com o desígnio do Teratoma e abracei a criação literária desta como um náufrago abraça o último pedaço do navio.

Então afundei…

Minha vida, ou parte dela, me foi sugada enquanto sonhos insanos se agitavam e grunhiam. Senti-me desfalecer e quando recobrei o juízo a solitária senhora havia partido.

Em cima de minha mesa ela havia deixado uma pequena carta junto com uma estranha rosa negra. Segundo sua carta ela mesmo havia cultivado nos recônditos túneis do subsolo aquela rara mutação.

Seu perfume me lembrava uma época passada, habitada por cavalheiros e damas, meretrizes e assassinos. Uma época que meu coração gostaria de habitar e meus sonhos desejam conhecer. A época onde nasceu as gêmeas siamesas que um dia iriam se tornar belas damas rameiras e um aborto cancerígeno.

Agora que ela se foi posso me deleitar por seus estranhos trabalhos, realmente seu pagamento por minha semente valeriam a pena se não tivesse tanta consciência do que fiz.

Não posso me permitir existir numa realidade que não é minha conquista. Me aproveitar da existência daquilo é me sujeitar a seu próprio nível. E venhamos a ser sinceros. Ladrão de vida é algo que poderia suportar, mas nunca me permitiria ser ladrão de idéias, algo tão incomensurável para um verdadeiro escritor quanto sua própria derrota, pois suas palavras são mutáveis como o tempo.

Sendo assim, acredito que não precisarei da ajuda de um teratoma para alcançar meus objetivos. Pois já possuo meu próprio câncer pessoal, a imaginação insensata em minha consciência.

Essa sim me incomoda noites a fio, sempre levando partes de minha vida, sempre me consumindo e me guiando, só permitindo a realidade do tamanho do universo, nada tão pequeno quanto os sonhos dos homens.

Texto inspirado na obra: As Piedosas de Frederico Andahazi.

Creative Commons License
A visita de um Teratoma. by JBAlves is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.