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Preso, apenas com uma estática na garganta.

Me sinto preso. Sentindo apenas uma estática na garganta.
E não sinto mais nada além disso.
Nem a esperança e nem a liberdade de antes.
Apenas o desejo de consumir os bens que me consomem.

Assim, preso e murcho, eu só consigo observar aquele absorver da vida.
Que suga tanto aqueles que amo, como aqueles que odeio.
Apenas deixando a pior metade de cada um.

Uma metade incompleta que se arrasta e espera.
Batendo cabeças sem olhar nos olhos dos outros.
Presa apenas no palpitar da noite que sussurra o medo
e silencia o coração.

Quando desperto, sinto falta de uma garrafa para me entreter,
algo que possa me afastar dessa estática crescente.
Uma energia que denota e derrota o meu suspirar.

Pois sem arrependimento ou consentimento,
só presenciei frases afiadas e punhos fechados se
tornarem mais importantes do que almas humanas.

Então, pergunto ao espelho.
O mundo revelou sua face?
Todo o ódio e preconceito venceram?

Pois ontem e hoje só escuto os gritos
discursos de ódio que se tornam mais e
transformam em menos tudo o que já fizeram de bem.

E diante da resposta, a estática só aumenta
cortando minha língua
e reduzindo meu discurso.

Se transformando num chiado insuportável
sem noção ou razão.
Que me faz consumir apenas os bens,
os bens que me consomem.

Com isso.
Afogado por meus desejos.
meu ego ignora todos os gritos por justiça.

Gritos que já nascem abortados
por que mais uma meia pessoa
que só resolveu consumir falsas meias noções.

Pois é mais fácil acreditar nas mentiras
que todos contam. Do que continuar tentando
mudar um mundo que não desiste de gritar.

Quer realmente mudar?
Então deixe de consumir aquilo que te consome!
Torne-se inteiro novamente!
Mude! Aceite!
Acorde!

 

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