Olhos na noite…

A manhã se forma lentamente, meus olhos voltam-se em direção ao horizonte. Enquanto sinto os primeiros raios de sol me banharem, relembro de tudo o que aconteceu.

Estava voltando de minha última viagem à São Paulo quando o pneu do carro furou., não tinha estepe mas minha casa ficava a algumas quadras de lá. Sem problema! Eu iria a pé e de lá só precisaria ligar para um colega vir me ajudar.

Lentamente depois de ter fechado o carro, me dirigi até em casa. Passo a passo fui atravessando as ruas escuras. Elas estavam apenas iluminadas pela luz das estrelas, e as árvores criavam sombras com aspectos assustadores, comecei a pensar em um colega que tinha sido assaltado naquela região; não é bom andar sozinho a essa hora.

Foi quando me dei conta de que alguém estava atrás de mim, virei-me assustado, mas só o que vi foi as sombras das árvores que se balançavam ao vento.

Que covarde! Com medo das sombras! Continuei minha caminhada, mas agora meus ouvidos pulsavam com as batidas altas de meu coração.

Pensando que a sensação era apenas coisa de minha imaginação, continuei indo lentamente até minha casa. Eu estava muito cansado, uma viagem de seis horas matava qualquer um, mas, o medo crescente me deu novas forças e comecei a correr em direção de casa temendo alguma coisa.

De repente, como surgido do nada, uma figura escura, sem forma, de grandes olhos brilhantes surgiu à minha frente, seus olhos eram duas chamas ardentes que poderiam consumir meus incautos pensamentos, porém, sua língua era doce para meus ouvidos e sua face se escondia por entre as sombras.

Olhei em volta assustado procurando ajuda, mas as casas já não mais existiam, o vento havia parado e as sombras estavam por todo lado.

Virei-me novamente e fitei aquilo que me observava, quem ou o que era aquilo? Que criatura teria tais olhos?

Foi quando a criatura se moveu. Tão rápido que não tive chance, enlaçando-me em seus braços. Senti uma dor indescritível, meus braços se molharam de sangue, minha boca tentava gritar.

Mas apenas se ouvia os sussurros da criatura em meus ouvidos, e enquanto ela arrancava todos os meus medos pelo espaço aberto em meus pescoço me prometia sonhos e desejos. Apesar disso só conseguia desejar uma coisa, que esse pesadelo acabasse logo, depois disso, apaguei.

Fui acordar em meu quarto, com o canto do necrófilo em meus ouvidos. Como? Não sei. Só sei que meu carro estava na garagem, com o pneu furado. E a única coisa que me faz acreditar que tudo não foi um sonho é a marca de dentes que carrego em meu pescoço.

Não arriscarei nenhuma hipótese, apenas sei que estou vivo, mesmo não sabendo como ou porquê.

Mas, realmente, alguma coisa me atacou, algo que não tem destino pré-determinado, apenas consigo imaginar que suas pegadas devem ter sido deixadas em meio à poças de sangue coagulado e faces pálidas.

E que pertence a ele a escolha da vida ou da morte de nós, seres humanos. E para os mortos virá o descanso, para os vivos, apenas a lembrança daqueles olhos no meio da noite…

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