, ,

Nada a declarar…

whitepaper
Uma página em branco pode representar as chaminés cheias de fuligem de uma Inglaterra vitoriana ou o chão batido de uma rua estreita e calorenta de uma cidade Brasileira.

Uma página em branco pode representar todos os sentimentos do mundo ou um personagem que, carregando manias e características,  se aproxima de uma vítima indefesa. Tudo isso existe no vasto universo que é uma página em branco.

Uma página. Um espaço. Preenchido por tipos, letras, fontes, palavras, sujeitos, predicados, verbos, frases, sentenças, capítulos, escolhas, desejos, medos e sentimentos de um autor.

Um local em branco que reflete a alma de quem escreve e a alma de quem lê. Uma reflexão conjunta e ao mesmo tempo separada por distâncias de tempo, espaço e impressão.

Momentos, que podem representar naves espaciais, combates titânicos ou mesmo o claudicar de um velho senhor que sofre com a mudança do clima.

Expressões de susto que inspiram um palpitar de corações. Suspiros de resignação que representam o passar de uma última página ou mesmo a emoção, doce e simples, de passar os dedos por uma capa nova, imaginando o que aquelas páginas brancas, salpicadas de palavras poderão representar para seus sonhos, para sua vida.

Tocar uma página em branco impressa ou digital, e interpretar os significados e significantes de cada símbolo é o que nos aproxima do caminho dos heróis e das lendas.

Eu sinto dentro de mim, cada vez que escrevo uma palavra, que cometo um crime, pequeno porém indelével.

Porque é nesse momento que nos aproximamos dos contadores de histórias que pintavam as caçadas nas cavernas, dos homens santos que transcreviam suas crenças nos papiros, ou mesmo dos antigos cartógrafos que relatavam os monstros que existiam nos cantos dos mapas que guardavam o mundo escondido que existe em um página em branco.

Toda vez que lanço um olhar para o papel, eu escuto o sussurrar que ele não tem nada tenho a declarar. Mas tudo faço, para abrir minha mente para as possibilidades.

Será que a lança vai perfurar o olho do dragão? Ou será que a guerreira tropeçará sob o peso de sua armadura diante da grande rainha dos aliens?

Ele escolherá o escudo ou o chicote? E quando a montanha chorar, qual tipo de escuridão irá destruir o mundo?

São essas as possibilidades. Infinitas porém arredias. Alienígenas e familiares se olharmos no fundo do universo que é um papel em branco.

Nada a declarar. Tudo a declamar. Ressona as possibilidades.

Quem será o personagem principal?
Qual foi sua motivação?
Quem decidirá por seu destino?
Quem é você?
O que você quer?

Mil vozes murmuram por trás de cada linha que cruza o papel. Mil personagens, cenários ou situações.
O que você vai fazer? Como você irá preencher esse papel?

Nada a declarar…

1 responder
  1. Logan Solo
    Logan Solo says:

    Juliano, meu amigo, não tenho muito a acrescentar. Você falou muito e transmitiu grandes reflexões. Todos podemos escrever, preencher uma página em branco, mas dar vida a personagens e criar situações instigantes é tarefa de poucos.

    Nós, escritores, somos pessoas iguais às outras, somente com uma única diferença: observamos com os olhos da alma o mundo de forma mais crítica do que os outros.

    Essa página em branco dos livros deve ser preenchida por aqueles que transformam palavras em movimento – movimento e ideias – ideias em fantasia, na mente de quem as lê.

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Comente aqui suas impressões!