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MODERNAS MALDIÇÕES – Um conto que brinca com os “bugs” e problemas da tecnologia.

Sabe quando você tem problemas com a sua internet? Ou quando você perde todos os seus arquivos do nada? Sabe quando todas as suas músicas estão corrompidas, seu pendrive derrete ou seu celular morre?

Existe uma razão pra isso, isso acontece porque você está sendo amaldiçoado.
Quer saber mais? Então clique e veja o que está acontecendo. 😉

O demônio na garrafa digital.

Para ele, aquele momento começou como todos os outros. Primeiro, café preto como a noite e quente como o piso do inferno. Depois, pão com geleia de mandrágora para preparar os estômagos para mais um dia de labuta.

Pelo menos ele gostava do que fazia. Ceifar a energia vital de criaturas dos planos interiores era, de seu ponto de vista, quase que revigorante.

Porém, foi só ele pisar fora do seu círculo infernal, que sentiu um comichão na parte sulfurosa e mais profunda de sua espinha.

Era uma sensação distorcida mas, ao mesmo tempo familiar. Algo que vagamente lembrava os rituais organizados pelos antigos druidas.

Só quando o vento do Estígia mudou, é que ele percebeu aquele som baixo e bizarro, feito de cliques e teclas,que vinha misturado com a cantoria.

– Pela auréola do primeiro anjo caído! Que tipo de ritual bizarro e monótono os vermes de barro estão criando agora?

Então ele sentiu mais uma vez o comichão. Não era nada localizado mas, ele sentia que um de seus nomes era repetido continuamente.

– Isso não é jeito de convocar um ser da minha estatura. – pensou incomodado. – Não tem nenhum sangue de animal, nenhuma virgem ou mesmo uma pequena fogueira queimando carne inocente. Não tem nada que eu possa usar para fazer a minha entrada!

No entanto, o chamado continuava. As vezes ficava mais forte, outras sumia. Era tão incômodo que ele decidiu investigar. Ele tinha de descobrir quem convocava o seu nome daquele jeito frívolo e irritante.

Então, ele respirou um pouco do enxofre à sua volta, registrou o controle de almas e bateu os cascos enquanto recitava.

– Não existe um lugar como o lar. Principalmente o lar daqueles que me convocam para sua existência decadente.

Ele se dissolveu em milhares de pontos negros e, depois de enfrentar o trânsito que sempre estava encontrava quando subia para a superfície, se rematerializou no seu destino.

O cenário agora era diferente de tudo o que ele conhecia. Parecia um pouco com a Idade Média mas, não tinha estrume em quantidades viscerais como antigamente.

As cores eram fortes e pulsantes e as coisas que passavam correndo perto dele só lembravam de longe os vermes humanos. No todo, eles mais pareciam com bonecas deformadas , seres artificiais com pouca roupa e nenhuma noção de sua presença.

– Odioso! – rosnou. – Vocês convocaram um dos mais poderosos Arquiduques do plano inferior e nem se ajoelham diante de mim?

Então ele agarrou dois dos seres que se mexiam de forma aleatório e tentou queimar o primeiro e devorar o segundo.

Ambos os seres explodiram e se dissolveram um flash de luz e um som monótono.

O Arquiduque então fechou os olhos e coçou um dos chifres. O chamado continuava ecoando perto dali então ele se afastou daquele lugar e começou a explorar.

Depois de passar por uma estranha floresta de árvores quadradas e bidimensionais ele encontrou o que estava procurando.

Bem no centro daquela uma planície plana e estranha, é que ele notou uma escultura grande e escura que trazia a versão egípcia de seu nome esculpida bem no centro.

E em volta da escultura, ele notou que existiam centenas daquelas criaturas artificiais, lutando, caindo e se dissolvendo em pequenas explosões de luz piscante.

– Pelas barbas da mãe de mil bodes. O que está acontecendo aqui? – exclamou.

Nunca em sua vasta experiência temporal ele tinha visto algo como aquilo. Ele, o ser que levou à primeira fêmea à comer da árvore proibida. Aquele chamado de tempestade de fogo pelas raças primordiais e Baal pelos habitantes da Mesopotâmia.

Enfim, o primeiro e único deus serpente dos egípcios estava abismal e totalmente estupefato pois, em cima daquele cenário estranho de luta e morte, ele podia divisar centenas, às vezes, milhares de faces humanas que apareciam e desapareciam, xingavam e faziam injúrias tais como:

– Cuidado com os Camper! – gritavam uns.

– Mata aquele filhote de Orc! – replicavam outros.

– Volta e tanka! Volta a cura! Que porra mano!!! – blasfemavam outros.

Era aquela violência perto do seu nome que o chamava. As mortes brilhantes e os gritos que ecoavam, pareciam interagir como seu nome.

– Mas não tem sangue ou almas de verdade nesse lugar. Nada aqui é real! E eu fui atraído para dentro dessa construção, desse brinquedo elétrico criado por esses seres de barro!

Ele tinha de sair dali. Aquela gritaria em volta do seu nome já começava a incomodar.

Primeiro, ele tentou o bater de cascos. Mas nada funcionou. Depois, ele fez os símbolos arcanos da Atlântida, e nada.

– As regras dessa realidade também são diferentes. – rosnou ele. – Terei de forçar minha saída!

Então reuniu suas forças e se concentrando, jogou toda a sua essência para fora daquele domínio pelo único ponto fraco que encontrou.

O problema é que, ao invés de sair pra o mundo físico, ele acabou se embrenhando num lugar inda mais vasto e estranho. Um labirinto criado e recriado constantemente pelos seres que ele tanto subestima.

Um lugar infinito, cheio de fotos estranhas e vídeos de gatinhas, chamado de internet.

Uma dimensão tão ampla e tão diferente que, até hoje, mantém o arquiduque do inferno preso. Como se fosse um gênio na garrafa, ou um Dragão que ficou se transformou por engano em uma libélula.

E ele está lá até hoje. Gritando, blasfemando e amaldiçoado todos que ele sente a presença. E você pode senti-lo. Pode ver sua presença dissolvida nos pequenos erros que acontecem por aí.

Ele pode ser encontrado por exemplo, vagando sozinho e enlouquecido pelos infinitos mundos virtuais. Ou talvez você possa sentir suas palavras de desprezo, toda vez que tenta mandar uma mensagem pelo celular.

Ele é a influência que troca o “vamos jantar” para “vou te matar” ou o “voltando pra casa” para “matando a festa”.

No meu caso, na semana passada, toda vez que eu escrevia “aff”, ele trocava por “Seth”. O mesmo nome que o atraiu para aquele jogo de computador, o mesmo nome que foi usado para aprisioná-lo dentro das centenas de jogos de celular e quadrinhos espalhados pelo mundo virtual.

Algo que inadvertidamente transformou uma figura estranha e mítica, adorada pelos antigos egípcios, em apenas uma pequena personificação do mal. Algo que todos nós conhecemos hoje e que explicamos como um simples “bug” de computador.

Um erro, inconsciente e inocente, mas que se for libertado, pode causar um grande mal. Pense nisso então. Pois todas as vezes que um ogro da Internet nasce e fica falando asneiras, Seth fica mais forte.

Então pare de alimentar esse mal! Sinceramente, eu não quero ver o causador do bug do milênio e de todos os outros problemas que acontecem na internet, ainda mais irritado.

E você? Já sentiu a presença dele hoje? 😉

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E então, o que achou do conto?
Já sentiu a presença de Seth hoje?
Se sim, deixe seus comentários e sugestões!
E cuidado com os Trolls da net! 😉

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