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Jupiter Ascending – Um filme que morreu no frio do espaço.

Jupiter Ascending ou “O Destino de Júpiter” é um filme criado pelos irmãos Wachowski e estrelado por Mila Kunis e Channing Tatum. Como muitos já sabem, “Andy”

Andy-e-Lana-Wachowski-300x300Wachowski e Lana Wachowski, coletivamente conhecidos como The Wachowskis, são os cineastas, produtores e roteiristas dos EUA responsáveis pelo filme recolucionário filmee The Matrix de1999 e por algumas das grandes ideias com efeitos especiais criados na época.

E infelizmente, desde que Neo se tornou o escolhido, nem mesmo as continuações de Matrix e nem os outros filmes criados por eles alcançaram a mesma qualidade e o mesmo sucesso. Eu particularmente gostei do filme A Viagem, e por isso fiquei com muita vontade de assistir o filme Jupiter Ascending.

Mas antes de continuar com meus comentários, vamos assistir um dos trailers do filme.

Peraí! Naves espaciais incríveis, a revelação de que o planeta Terra faz parte de um vasto governo galáctico, aliens que parecem dragões e cenas de ação de tirar o fôlego? Eu preciso assistir esse filme!

Foi exatamente isso que eu pensei depois de assistir o trailer e foi isso que me motivou a ir ao cinema. Peguei um final de semana e junto com um amigo meu, também nerd, fui assistir o filme em um iMax e devo dizer, acabei me divertindo bastante com aquelas cenas de explosões e lutas e sai discutindo um monte de idéias nerds que foram propostas no filme.

Bela nave!

Bela nave!

Pensando nisso aqui vai minha primeira crítica, se você quer ir ao cinema para assistir um filme com cenas incríveis sem se preocupar com a qualidade do roteiro, você pode ir. As imagens são muito legais, as tecnologias alienígenas e os diversos cenários são realmente de tirar o fôlego. Pelo menos no cinema. 😛 

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Limpa banheiros e ainda sabe atirar!

Resumindo, na trama acompanhamos a história de Júpiter Jones (Mila Kunis), que segue uma penosa vida limpando banheiros sem saber que é descendente de uma linhagem de imperadores de um vasto império galáctico. E toda a sua vida se transforma quando ela é salva por um ex-soldado modificado geneticamente chamado Caine (Channing Tatum).

Então, se pensarmos na trama e nos efeitos especiais mostrados no trailer, nós ainda não encontramos grandes problemas. O conceito de uma personagem que descobre seu destino e é salva por um herói misterioso já foi explorado de forma magnífica em centenas de outros filmes. No entanto, infelizmente o filme se perde e o resultado final é bem ruim, criando assim o que a crítica vem dizendo que é o pior filme dos irmãos Wachowski.

Não estou dizendo isso porque algumas espécies alienígenas mostradas no filme foram consideradas ridículas! Eles são aliens e em alguns casos podem parecer rídiculos, principalmente se carregam semelhanças com elefantes ou ratos, mas não vi ninguém criticar a raça de homens-dragão que aparece no filme e que apesar de parecerem extremamente perigosos acabam levando uma surra desproporcional do personagem Caine.

Eu assisti o filme uma segunda vez e analisando com mais cuidado eu devo comentar que o humor forçado, o encadeamento dos fatos e principalmente, a forma como as cenas foram mostradas que fizeram com o que o filme se perdesse e no final não funcionasse muito bem.

Para entender o porquê disso, é preciso citar um mecanismo cognitivo estudado pela filosofia da arte chamado de SUSPENSÃO DA DESCRENÇA. É essa capacidade que nos faz “esquecer” os fundamentos do “realismo e crença” pessoal e que nos permite “entrar” na “realidade alternativa” de um filme, livro ou game e assim se divertir com a história.

Quando a história te apresenta um roteiro bem estruturado e cenas bem feitas, você finge que acredita naquilo que vê e se diverte como se fosse “verdade”. A raiz desta “suspensão voluntária da descrença” estaria na infância e na habilidade que as crianças tem de criar um espaço imaginário próprio de diversão. Por exemplo, é isso que permite assistirmos Matrix ou o O Senhor dos Anéis e nos divertirmos sem ficar discutindo a impossibilidade apresentada nas cenas.

Resumindo. Para uma narrativa funcionar, o contador de histórias precisa manipular a percepção da platéia de maneira que as regras da estória pareçam críveis, reais e justificáveis a tal ponto que a pessoa se permita se iludir. Em outras palavras, ele precisa manipular para convencer. E esta manipulação, antes de ser uma manipulação intelectual, é primeiro uma manipulação emocional. E foi exatamente isso que os irmãos Wachowski NÃO conseguiram fazer.

A primeira vez que assisti o filme eu fui surpreendido pelas cenas maravilhosas e decidi ignorar alguns erros óbvios, mas na segunda vez eu notei que o filme parece ter sofrido intensamente, com os cortes e edições finais, fazendo com que diversas cenas parecessem jogadas ou mesmo mal aproveitadas. Isso acabou criando a história de um príncipe encantado espacial que chega usando suas botas antigravitacionais para assim salvar a futura imperatriz galáctica, dona da Terra, que trabalha limpando privadas e se lembra do pai que nunca conheceu e que ainda assim influencia sua vida. Heim!?

Orus

Mais burocrático que o Brasil! 😛

Finalizando. Exceto pelas cenas 3D e por diversas tecnologias de ficção científica mostradas durante algumas cenas, o filme não ficou bom. As botas voadoras são legais, as cenas de combate são ótimas, bem como as armas, aliens e espaçonaves. No entanto tudo isso não faz um bom filme, e quando a suspensão da descrença é afetada, o resultado final se transforma de algo digno de aplausos para um entretenimento minimamente razoável estilo “sessão da tarde”. 😛

Enfim. Se você for capaz de ignorar as falhas e cortes no roteiro esse é bom filme para passar o tempo.  Confira as imagens conceituais do filme aqui e conclua se o resultado final foi bem aproveitado ou não.

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