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EXTINÇÃO GLOBAL.

Acesse de graça o conto de humor e scifi onde apresento algumas das criaturas mais poderosas já concebidos na literatura, os grandes monstros citados no Mito de Cthulhu do escritor H.P.Lovecraft.

Criaturas consideradas como deuses por causa de seu imenso poder apresentados de uma maneira diferente e um tanto que “inocente”. Para mais, acesse o meu perfil no Wattpad clicando AQUI .

Desejo a todos uma boa leitura!
E fico no aguardo de seus comentários. 😉

 

 

EXTINÇÃO GLOBAL. Ou para os íntimos, o efeito Bob.

Uma das maiores bênçãos do mundo, segundo um escritor humano, é a incapacidade da mente em correlacionar todos os seus conhecimentos. Isso é verdade porque, todos os humanos que tentaram superar isso, morreram.

Os poucos que sobreviveram por alguns instantes, só conseguiram fazer isso através de um ritual secreto ou uma tecnologia alienígena. E todos eles, sem exceção, foram capazes de captar o equivalente a uma voz grave e destruidora que até hoje reverbera pelo infinito. E todos os que a escutaram agora estão loucos, pois a voz dizia:

– No frio do espaço, ou nas dimensões mais profundas, ninguém pode realmente escutar os gritos de sua mãe. No entanto, de inúmeras e maravilhosas maneiras, você sempre dá um jeito de ignorar o que ela fala! Assim, você consegue superar suas limitações apenas para cometer as maiores traquinagens possíveis, independente de todos os perigos impostos às infinitas criaturas semi-conscientes que existem no seu quarto! Não é?

O pequeno Bob olhou para seu pai apenas por um micro segundo. Logo depois assumiu novamente aquela postura aborrecida, com aquele olhar distante que aprendeu com seu vizinho Shub. Se ele tinha que receber uma bronca, então ele iria fazer isso enquanto tentava ignorar o velho da melhor maneira que podia.

Assim, ele coçava seus braços inferiores, tentava contar os últimos números do Pi e ficava usando seus olhos secundários para observar as dimensões inferiores do hipercubo que ganhou de sua tia.

– Bobaiocthurstratiospheomyiatstratiosbivittatusbracyurupuskkyo dermmarusgreivlhu! Olhe para mim quando eu estiver falando com você! Deixe esse brinquedo de lado e pare de mexer seus apêndices. Isso já está me irritando. Se continuar fazendo isso vou te colocar de castigo até a estrela do nosso quintal apagar! É isso que você quer? Se eu fizer isso você vai perder o presente que me pediu. Aquela viagem que você queria ir, junto com seus amigos do exterior, para a festinha do Yog.

Vixe, agora a coisa estava séria! Seu pai nunca havia feito uma ameaça daquele tipo. Só sua mãe fazia isso, mas ele normalmente conseguia dobrar a braveza dela. Pelo visto ele teria de realmente prestar atenção. Então, ainda se monstrando chateado, retornou seus globos oculares no lugar e parou de fazer tipo.

– Você sabe o que significa a palavra extinção em massa? É o nome que suas criaturas usam para definir um acontecimento relativamente comum dentro do seu quarto.

– Ai Pai. Para com isso! Como eles podem saber disso se vivem menos do que uma mosca Yuggoth!

– Eles não viveram nada disso ainda. Mas, segundo tudo o que eles coletaram e imaginaram, as extinções em massa estão ocorrendo o tempo todo na história de seu mundinho! E mesmo com todo o seu conhecimento limitado eles já conseguiram contar todas as sete vezes que você ignorou sua mãe. Todas as sete vezes que você “sem querer” extinguiu quase todas as formas de vida do seu quarto!

– Mas Paaiieêê, qualé! Eu não fiz nada! Se eles morreram, a culpa é toda deles!

– Pode parar! Você está fazendo de novo aquilo que a sua mãe sempre reclama. Você está negando sua responsabilidade e isso é muito, muito feio! Não adianta negar que você extinguiu quase todas as espécies de equinodermos, braquiópodes e conodontes porque você queria fazer uma experiência!

– Eles me davam coceira! Já expliquei pra vocês isso. Principalmente os trilobitas!

– E aquela vez que você não se controlou e ficou soltando raios gama direto neles! Heim? Eu te avisei que os crinoides e equinoides não iriam aguentar. Mas não, você tinha de repetir o jantar e comer mais do que aguentava!

– Eu estava passando mal, Pai. Apenas isso! Só me esqueci de levantar a coberta e aconteceu. Desculpa por isso! Desculpa!

– Bob. Você sabe o que eu e sua mãe sentimos por você. Mas fazer beicinho não cola! Não depois que você destruiu seu aquário e matou todas as criaturas marinhas e arcossauros. Esse foi apenas o começo antes de você esquecer de alimentar os seus dinossauros. E o que aconteceu? Eles foram extintos também!

– Mas pai! Eu achava que eles iriam sobreviver. Não tenho culpa que só os pássaros idiotas conseguiram passar pelas mudanças vulcânicas e o aquecimento global que eu quis colocar no meu quarto! 

O pai parou e olhou para o pequeno Bob por um instante. Ele ficou orgulhoso do filho aquele dia. Isso porque ele estava tentando impressionar a pequena e adorável Shub. Quem sabe um dia eles até pudessem namorar. Mas ele não podia desistir agora, ele tinha de fazer o seu filho entender o significado da palavra responsabilidade.

– Eu sei que você tem todas as respostas e nunca vai admitir o que você fez. Então eu não tenho outra coisa senão te colocar de castigo! E não pense que isso é minha culpa, você que é muito irresponsável filho!

– Não pai! Por favor não! Eu faço o que você quiser. Vamos combinar assim. Eu prometo tomar conta dos humanos e não incomodar em nada do que eles estão fazendo. Combinado? Se eles sobreviverem, eu escapo do castigo?

– Ok, filho. Se você fizer isso e deixá-los em paz, eu prometo que você fica livre. Mas só se eles não destruírem o seu quarto! Agora, junte suas coisas e vai deitar. Continuamos essa conversa amanhã. Combinado?

– Combinado Pai! Boa noite! 

Então, o pequeno Bob procurou afastar com cuidado seus brinquedos e se deitou. O pai zeloso, ainda estava preocupado por ter sido muito firme então, cobriu seu filho com um cobertor azul muito confortável e ficou ao seu lado esperando ele adormecer.

– Pai, canta pra mim? – Perguntou Bob com uma voz agora baixa e semi adormecida.

Então seu pai abriu as múltiplas bocas e, enquanto um universo explodia por causa de sua voz, ele começou a cantar

– Ph’nglui mglw’nafh Bob. R’lyeh wgah’nagl fhtagn. Ph’nglui mglw’nafh Bob. R’lyeh wgah’nagl fhtagn.

Então o pequeno adormeceu. E está até agora dormindo.

E os humanos? Os humanos continuaram seu caminho, sonhando, jogando, transando e destruindo o seu pequeno ambiente. Sem nem mesmo entender o significado da voz ou da canção. Só aguardando pela próxima Extinção Global ou talvez eles só esperem por um novo filme ou um novo jogo de computador.

Só isso. Nada mais.

2 respostas
  1. Charleu Tenório da Silva
    Charleu Tenório da Silva says:

    Olá gostei muito porque me deu uma visão bem surpreendente da nossa criação parabéns

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