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ELES SÃO FEITOS DE CARNE! Um conto que responde o Paradoxo de Fermi.

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Tudo começa com uma pergunta:

Tudo começou quando eu estava pesquisando material sobre o Paradoxo de Fermi, um paradoxo muito comum para os amantes da Ficção Científica que pode ser definido da seguinte maneira:

“Os aparentes tamanho e idade do universo sugerem que muitas civilizações extraterrestres tecnologicamente deveriam existir.  Entretanto, esta hipótese parece inconsistente com a falta de evidência observacional para suportá-la”.

A questão foi levantada em 1950 pelo  físico Enrico Fermi e questiona que se a Terra é um planeta típico, então a vida extraterrestre deveria ser comum. Mas aonde estão eles? Porque ninguém entrou em contato ainda?

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Não estamos falando com você!

O primeiro aspecto desse paradoxo, é “o argumento de escala”. Resumindo, mesmo que a vida inteligente ocorra em uma minúscula porcentagem de planetas, ainda haveria um grande número de civilizações existentes na Via Láctea devido a grande quantidade de estrelas e planetas espalhados pelo universo. Este argumento considera que não há nada de especial com o o ser humano ou com a vida na Terra e que vivemos em um planeta típico, submetido às mesmas leis, efeitos e resultados prováveis que qualquer outro planeta.

A segunda pedra angular do paradoxo é uma resposta ao argumento de escala. Uma vez que vida inteligente parece ser capaz de superar a escassez e tem a tendência a colonizar novos habitats, é provável que pelo menos algumas civilizações alcancem um nível tecnológico avançado, procurarem por mais recursos no espaço e então colonize seu próprio sistema solar e, posteriormente, os sistemas em volta.
Até o momento nós já fizemos inúmeras tentativas de resolver o paradoxo de Fermi. Já tentamos localizar evidências de civilizações extraterrestres, bem como teorizamos  propostas de que a vida poderia existir sem o conhecimento humano. Argumentos contrários sugerem que a vida extraterrestre inteligente não existe, ou ocorre tão raramente que os humanos dificilmente farão contato com ela.

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E onde entra Roswell nisso?

Gostaria de comentar que gosto e respeito as diversas correntes da Ufologia, mas infelizmente  nenhuma delas ainda apresentou evidências e provas sobre a possibilidade de vida extraterrestre. Sendo assim, vou ignorar essas idéais no momento.

Retornando, existem várias teorias e princípios que estão relacionados com o paradoxo de Fermi, no entanto, devo citar uma das minhas teorias favoritas, a equação de Drake.

A equação foi formulada pelo Dr. Frank Drake em 1961, uma década após as objeções de Fermi, em uma tentativa de encontrar um jeito sistemático para avaliar as numerosas probabilidades envolvidas com a existência ou não de vida alienígena. O maior problema dessa equação é que os últimos quatro termos (fração de planetas com vida, chances de que a vida se torne inteligente, chances de que a vida inteligente se torne detectável e quantia de tempo pelo qual elas são detectáveis) são completamente desconhecidos. Apenas temos a Terra como um exemplo, tornando estimativas estatísticas inviáveis.

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Dr. Carl Sagan

A equação de Drake tem sido usada por otimistas e pessimistas com resultados muito diferentes. O Dr. Carl Sagan, usando números otimistas, sugeriu um milhão de espécies comunicantes na Via Láctea em 1966, embora ele tenha dito depois que o número real possa ser muito menor. Pessimistas como Frank Tipler e John D Barrow usaram números menores e concluíram que o número médio de civilizações em uma galáxia é muito menor que um. O próprio Frank Drake comentou que a equação de Drake é improvável de resolver o paradoxo de Fermi; é apenas uma maneira de “organizar a ignorância” no assunto.

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Teste as possibilidades da equação! 😉

Enfim. Foi pensando e pesquisando o Paradoxo de Fermi e a Equação de Drake que eu esbarrei com um artigo que falava sobre as possíveis soluções desse paradoxo. Vou citar apenas algumas delas aqui de uma maneira bem resumida.

– Nosso planeta é um Zoológico espacial: Os Aliens nos observam mas não interferem. Algo como a Primeira Diretriz utilizada pela Frota Estelar da série Star Trek.

– Estamos vivendo em uma simulação: Alguns cientistas e filósofos tem discutido essa ideia. Ou seja, estaríamos vivendo em uma simulação estilo Matrix. 

– Aliens estão respondendo mas não sabemos como escutar: O programa SETI (busca por inteligência extraterrestre) está contando com esta solução. Aliens podem não estar usando ondas de rádio, ou eles podem estar transmitindo em frequências diferentes do que o SETI está monitorando. Em 1985, Carl Sagan disse que essa poderia ser a resposta da falta de sinais alienígenas. Os aliens poderiam se comunicar em um ritmo tão lento ou rápido que nem sequer conseguimos entender isso.

– Hipótese da Terra rara: Essa hipótese contesta o primeiro e segundo aspectos do paradoxo de Fermi. Ou seja, existe algo especial, ou pelo menos raro, sobre a Terra. Sendo assim, a vida só pode acontecer por aqui. No entanto, missões recentes missões da NASA já encontraram planetas supostamente semelhantes a Terra.

– O paradoxo da Juventude: Nesse caso, a teoria diz que o universo ainda é muito jovem. Sendo assim é pouco provável, que exista uma civilização alienígena em nosso próprio universo muito mais avançada do que a nossa.

– Teoria do Grande Filtro: Essa teoria diz que existem diversos filtros que dificultam o desenvolvimento de uma civilização avançada que possa colonizar ou mesmo viajar por toda a galáxia. Dr. Robin Hanson, um futurista bem conhecido publicou os nove passos que ele acredita que são necessárias para que possa surgir uma civilização interestelar. Cada passo é um filtro e até agora já chegamos ao passo 8. Talvez existam outras civilizações fazendo o mesmo.

1. O sistema estelar correto (com componentes orgânicos);
2. Algo que possa se reproduzir (por exemplo RNA);
3. Vida simples (procariontes) compostos de uma única célula;
4. Vida complexo unicelular (eucariontes);
5. Reprodução sexual;
6. Visa Multicelular;
7. Animais com grandes cérebros capazes de usar ferramentas;
8. Aonde estamos agora;
9. Explosão de Colonização (Audaciosamente aonde nenhum homem jamais esteve!).

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Evolução?

 

Gostei muito das possibilidades apresentadas. Eu já sabia que não encontraria uma resposta, mas o que eu estava procurando por novas idéias para minhas histórias. Foi então que, em uma das listas de teorias eu encontrei uma referência a um conto intitulado THEY’RE MADE OUT OF MEAT que foi publicado pela revista Omni de Ficção Científica em 1990. Fiquei interessado e fui atrás.

As vezes a resposta pode nos surpreender:

TB_sm_1010773THEY’RE MADE OUT OF MEAT (ELES SÃO FEITOS DE CARNE) é um conto criado pelo escritor Terry Bisson. Terry é um autor americano de ficção científica e fantasia muito conhecido por causa de seus contos e várias de suas obras, incluindo “Bears Discover Fire”. Muitas delas, incluindo THEY’RE MADE OUT OF MEAT já ganharam alguns dos maiores prêmios mundiais da comunidade de ficção científica, como o Hugo e o Nebula.

No conto, dois seres alienígenas discutem sobre a possibilidade de fazer contato com os seres humanos. E no final, ele acaba se tornando a melhor resposta que eu já vi para o Paradoxo de Fermi. Eu adorei a história e acabei ficando com vontade de traduzir e apresentar para vocês. Acabei entrando em contato com o autor e perguntei se eu poderia fazer isso. E não é que ele me respondeu positivamente! 🙂

O resultado da tradução está logo abaixo! Espero que gostem!
Para saber mais sobre os outros trabalho de Terry Bison acesse: http://www.terrybisson.com/
Thanks again Terry!

 

ELES SÃO FEITOS DE CARNE – Um conto de Terry Bison

– Eles são feitos de carne.

– Carne?

– Carne. Eles são feitos de carne.

– Carne?

– Não há nenhuma dúvida sobre isso. Nós captamos vários deles em diferentes partes do planeta, levamos alguns deles a bordo de nossos naves de reconhecimento, e fizemos sondagens durante todo o tempo. Eles são feitos completamente de carne.

– Isso é impossível. E sobre os sinais de rádio? As mensagens para as estrelas?

– Eles usam as ondas de rádio para falar, mas os sinais não vêm deles. Os sinais vêm de máquinas.

– Então, quem fez as máquinas? São esses que nós queremos entrar em contato.

– Eles fizeram as máquinas. Isso é o que eu estou tentando dizer. Carne fez as máquinas.

– Isso é ridículo. Como carne pode fazer uma máquina? Você está me pedindo para acreditar em carne senciente.

– Eu não estou pedindo nada a você, eu estou lhe dizendo. Estas criaturas são a única raça senciente nesse setor e eles são feitos de carne.

– Talvez eles sejam como os Orfolei. Você sabe, uma inteligência à base de carbono que passa por um estágio de carne.

– Não. Eles nascem carne e morrem carne. Estudamos vários deles durante todo o seu tempo de vida, o que não demorou muito. Você tem alguma idéia de qual é o tempo de vida útil de carne?

– Poupe-me. Ok, talvez eles sejam apenas parte carne. Você sabe, como os Weddilei. Uma cabeça de carne com um cérebro de plasma de elétrons dentro.

– Não. Nós pensamos sobre isso, uma vez que eles têm cabeças de carne, como o Weddilei. Mas eu já disse a você, nós sondamos eles. Eles são carne durante todo o tempo.

– Nenhum cérebro?

– Oh, existe um cérebro ali. É só isso, o cérebro é feito de carne! Isso é o que eu venho tentando lhe dizer.

– Então… o que faz o pensamento?

– Você não está entendendo, não é? Você está se recusando a lidar com o que eu estou dizendo a você. O cérebro faz o pensamento. A carne.

– Carne pensante! Você está me pedindo para acreditar em carne pensante!

– Sim, carne pensante! Carne consciente! Carne que ama. Carne que sonha. A carne é tudo nesse caso! Você está começando a ter uma imagem ou o que eu tenho que começar tudo de novo?

– Oh meu Deus. Você está falando sério então. Eles são feitos de carne.

– Obrigado. Finalmente. Sim. Eles são realmente feitos de carne. E estão tentando entrar em contato com a gente a quase uma centena de seus anos.

– Oh meu Deus. Então, o que esta carne tem em mente?

– Primeiro eles querem falar com a gente. Então eu imagino que querem explorar o Universo, ter contato com outros seres senciences, trocar idéias e informações. O de sempre.

– Nós temos de falar com carne.

– Essa é a idéia. Essa é a mensagem que eles estão mandando por rádio. “Olá. Alguém aí. Alguém em casa.” Esse tipo de coisa.

– Eles realmente falam, então. Eles usam palavras, idéias, conceitos?

– Oh, sim. Só que eles fazem isso com carne.

– Eu pensei que você acabou de me dizer que eles usam o rádio.

– Eles usam, mas o que você acha que está vindo pelo rádio? Sons da carne. Sabe quando você dá um tapa ou bate na carne, e ela faz um barulho? Eles falam batendo sua carne uma na outra. Eles podem até mesmo cantar esguichando ar através de sua carne.

– Oh meu Deus. Carne que canta. Isso já é demais. Então, o que você aconselha?

– Oficialmente ou extraoficialmente?

– Ambos.

– Oficialmente, somos obrigados a entrar em contato, dar as boas vindas e fazer o registro a todas as raças sencientes ou seres múltiplos neste quadrante do Universo, sem preconceito, medo ou favor. Extra-oficialmente, eu aconselho a apagar os registros e esquecer a coisa toda.

– Eu estava esperando que você dissesse isso.

– Parece algo rude, mas existe um limite. Será que realmente nós queremos fazer contato com carne?

– Concordo cem por cento. O que há para dizer? “Olá, carne. Como vai?” Mas será que isso funciona? Quantos planetas estamos lidando aqui?

– Apenas um. Eles podem viajar para outros planetas em recipientes especiais de carne, mas eles não podem viver dentro deles. E, sendo carne, eles só podem viajar através do espaço C. O que os limita à velocidade da luz e faz com que a possibilidade de fazerem contato seja bastante reduzida. Infinitesimal, na verdade.

– Então, nós apenas fingir que “não há ninguém em casa” no Universo.

– É isso aí.

– Rude. Mas você mesmo disse, quem quer conhecer carne? E os que estiveram a bordo de nossas naves, os que foram sondados? Você tem certeza que eles não vão se lembrar?

– Eles vão ser considerados malucos se o fizerem. Nós acessamos suas mentes e suavisamos sua carne de modo que nós somos apenas um sonho para eles.

– Um sonho para a carne! Como isso é estranhamente apropriado, que sejamos apenas um sonho para a carne.

– E nós marcamos todo esse setor como desocupado.

– Excelente. De acordo, oficialmente e extraoficialmente. Caso encerrado. Algum outro? Alguém interessante nesse lado da galáxia?

– Sim, uma tímida mas doce colmeia inte­li­gente de aglo­me­ra­dos de hidro­gê­nio numa estrela classe nove na região G445. Chegou a manter contato há duas rotações galáticas, quer reatar a amizade.

– Esse pessoal sempre acaba voltando.

– E porque não? Imagine quão insu­por­tá­vel, quão incon­ce­bi­vel­mente frio seria o universo para quem estivesse sozinho nele…

 

E se você ficou interessado na adaptação do cinema, e sabe inglês, aqui vai o vídeo no youtube! 😉

 

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5 respostas
  1. K'
    K' says:

    Puro preconceito? Só isso? Não achei lá muito boa a resposta, é deveras “humana”. Se um povo pudesse sondar o cosmos estariam milhões de anos distantes das “doenças” culturais como as nossas.

  2. Carlos Almeida
    Carlos Almeida says:

    Eu gostei bastante! É uma resposta possível.. talvez a melhor resposta dada por um de nós até hoje. Afinal, Sr. K`, como poderia um um humano produzir uma resposta não-humana para o que quer que fosse..?!..rs

  3. JBAlves
    JBAlves says:

    Ótima questão Carlos. Infelizmente a nossa visão humana só permite analisarmos as coisas a partir de nosso ponto de vista. Inclusive se encontrarmos um alienígena ainda iremos utilizar exemplos semelhantes do tipo “O alien é meio cachorro e meio inseto mas tem uma cara de caramujo”. Ou seja, até mesmo para descrevê-lo, tentamos aproximar ou mesmo reduzir para nossa realidade. E isso vai continuar até que tenhamos expandido nosso ponto de vista. 😉

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