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De luto pois aconteceu uma tragédia…

Algumas filosofias dizem que as coisas acontecem sempre no momento certo. Que nada do que você faz ou deixa de fazer é sem sentido. Que devemos refletir sobre todas as coisas que acontecem em nossas vidas.

No entanto a morte por acidente, principalmente de alguém próximo sempre nos pega de surpresa. Nos deixa sem ar quando aquele a garganta da um nó. É um sentimento de confusão. Quase como um soco no estômago que te faz lembrar que você está vivo e eles, não.

Quando a pessoa já está bem velhinha e morre, as pessoas falam que “ela  descansou”. Quando ela fica doente e passa muito tempo na cama e depois falece, comentam “que ela não venceu a batalha”. Agora quando alguém jovem, muitas vezes mais jovem que você falece em um acidente de carro, as pessoas falam que foi “uma tragédia”.

Mas porque tragédia? Porque a palavra tragédia vem do grego antigo e é uma forma de drama que se caracteriza pela sua seriedade, dignidade e frequentemente a imagem dos deuses, do destino ou da sociedade. Suas origens são obscuras, mas é, certamente, derivada da rica poética e tradição religiosa da Grécia Antiga.

Suas raízes podem ser rastreadas mais especificamente nos ditirambos, os cantos e danças em honra ao deus grego Dionísio (conhecido entre os romanos como Baco). No sentido vulgar, tragédia, desgraça e drama são sinônimos.

Aristóteles dedicou boa parte de sua obra aos estudos e análise da tragédia. Ele dizia que a função da tragédia era de provocar por meio da compaixão e do temor a expurgação ou purificação dos sentimentos através da Catarse.

Catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma.

Escrevo esse texto justamente por isso. Porque em um momento, eu vivia apenas mais um dia de feriado de carnaval e tinha como objetivo arrumar minha biblioteca. Agora, eu tenho em minhas mãos as memórias que partilhei com uma pessoa querida que já não via a muito tempo. E essas memórias só voltaram porque fiquei sabendo do seu acidente de carro. Uma verdadeira tragédia.

Não posso dizer o que significa a morte para quem vai, ou pra família de quem fica. Isso não me foi revelado e tenho medo que esse dia ainda chegue. Mas posso citar alguns os sentimentos de quem fica. Tristeza, Reflexão, medo e solidão são os primeiros que sinto. Espero que os outros sentimentos, aqueles de menor peso venham logo.

No momento vou experimentar cada um desses sentimentos e pensar sobre o que é importante enquanto estamos desse lado da história, enquanto não somos os personagens da tragédia.

Vivam bem! Escrevam, sonhem, criem e façam a diferença.
E nunca, nunca se esqueçam. Um dia tudo isso acabará.
As coisas não deviam ser assim.
As coisas não deviam ser assim.
Mas são…

Finalizo com a música que escolhi escutar enquanto pensava no que aconteceu.

“Nunca me abri desse jeito
As vidas são nossas, nós vivemos do nosso jeito
Todas essas palavras eu não digo apenas
Nada mais importa”

 

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