CORALINE de Neil Gaiman.

Uma maravilhosa obra que pode ser apreciada em livro, graphic novel e stop-motion. Assim, segue uma breve análise sobre a obra.

A história de CORALINE é inteligente e criativa e fala sobre uma jovem garota que descobre uma realidade alternativa onde as pessoas que conhece são um tanto quanto diferentes.

Tanto no quadrinho quanto na animação “Stop-Motion” isso é nitidamente ilustrado através da presença de inúmeros personagens onde vemos Coraline, seus pais, seus “outros pais”, vizinhos, etc. No entanto, quando Coraline visita a cidade com sua mãe esta parece ser desprovido de pessoas o que dá a história uma sensação de uma peça de teatro, mas também reflete a visão egocêntrica de uma menina pequena pois a personagem Coraline ainda está numa fase de vida quando aqueles fora de seu círculo mais próximo não são muito reais.

Há algo frio e fora de equilíbrio entre os dois mundos apresentados. No mundo “real”, isso poderia ser explicado pelo fato de que Coraline e seus pais acabaram de se mudar para a casa, os vizinhos dizem seu nome errado e a culinária de seu pai é no mínimo peculiar, se não for considerada nojenta. sendo que ambos estão ocupados demais para dar-lhe alguma atenção.

No caso do quadrinho não existem outras crianças ao redor, assim como o filho de outro muitos solitário literária – Alice, Mary Craven, (The Secret Garden) e Harry Potter. No caso do Stop Motion temos o personagem denominado Wybourne ‘Wybie’ Lovat, que tem uma função apenas de suporte nas cenas. Em todo o caso, a personagem Coraline tem que descobrir as coisas por si mesma.

Os seus “outros pais” são atenciosos, cozinham bem e têm muito tempo para dar atenção à sua filha, mas eles são a essência dos pesadelos quando você os conheçe bem. A “outra mãe” se revela uma bruxa em aparência, com botões negros no lugar dos olhos, dentes de roedores e mãos horríveis com uma vida própria.

Seu comportamento – que parece ser impelido pela fome (segundo dica do gato preto) está em desacordo com a mãe verdadeira de Coraline. Isso vai se revelando na história como um sonho que se torna um pesadelo, uma forma memorável do autor Gaiman de tecer palavras.

Não entrando muito em detalhes para não perder a graça desde o início, Coraline sente que as pessoas do outro mundo não estão certas de alguma forma, mas ela também sabe que ela tem de lidar com eles a fim de salvar aqueles que ama.

Isso está é mais claro na graphic novel e no stop-motion que na versão impressa original, em que Coraline é retratado como mais jovem e ingênua, tendo em torno da mesma idade de Alice. A graphic novel Coraline parece ter em torno de onze anos sendo que a menção de seu retorno à escola sugere que Coraline pode estar prestes a começar o ensino médio.

Se este for o caso, a obra salienta o poder da narrativa do ato de crescer, descobrir que seus pais são falhos e amá-los de qualquer maneira, perder a sua identidade e encontrá-lo novamente, bem como a importância da lealdade, coragem e amor.

A fim de chegar lá, Coraline tem que se separar de seus pais e encontrar a “outra mãe” para assim expressar essa necessidade. A fim de libertar-se, Coraline tem que tomar medidas mais decisivas do que ela faz, tornando uma mulher real e independente.

É uma obra de arte em qualquer uma de suas adaptações. Uma história simples mas muito atraente, digna do gênio que é Neil Gaiman. O tom puxa para a obra de Alice no País das Maravilhas, com os elementos do conto de fadas moderno.

Sem ser chocante e horrível, é uma obra poderosa e assustadora a seu modo. Eu certamente não recomendaria como leitura de cabeceira para os muito jovens ou muito nervosos.


* Algumas curiosidades:

1. A presença das 3 fúrias, personagens muito comuns na obra de Gaiman são apresentadas pela presença e relação entre Coraline, a sua mãe (as duas versões) e as velhas atrizes, que passam mensagens e soluções misteriosas a todo momento.

2. Se observarmos o nome do personagem “Wybie” Lovat que aparece no Stop Motion. Ele parece soar como “Why be Lovat” que significa “por ser”. Por ser o que? Se pensarmos na palavra Lovat vemos que ela pode muito bem ter se inspirado no autor Lovecraft. Nome que surge se completarmos algumas letras.

Digo isso porque a visão de um mundo dos sonhos, de uma velha bruxa e dos inúmeros ratos são consistentes com alguns dos mitos de Cthulhu criados pelo autor H.P. Lovecraft que Neil Gaiman tanto gosta.

Sendo assim, fica aqui a dica…

Abaixo segue o teaser do Stop-motion:

2 respostas
  1. Anonymous
    Anonymous says:

    por favor, sou fã de livros como Coraline e Alice,que outros livros parecidos poderia me recomendar??

  2. Juliano Alves
    Juliano Alves says:

    Eu recomendo todas as obras de Neil Gaiman. Sandman, Belas Maldições e Deuses Americanos são ótimas referências. Da mesma forma, os livros de Terry Pratchet. A série Discworld é fantástica. 🙂

Os comentários estão fechados.