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Conto baseado no universo do game STARCRAFT: O inimigo de meu inimigo…

Holo36 dançava alegremente pelas ruas de Tarr usando a imagem de uma atriz morta a mais de 200 anos que ele havia encontrado no antigo banco de dados da cidade. O soldado humano ao seu lado, normalmente silencioso e focado também estava um pouco distraído, tanto por causa do final das chuvas e início de um dos melhores períodos climáticos do planeta quanto pela diminuição dos ataques Zergs contra sua cidade. Holo36 era um holograma, construído com o que existia de mais avançado em inteligência artificial e holografia baseada na união da tecnologia humana e protoss, uma inteligência artificial experimental que seria usado para proteger os interesses e costumes dos seres humanos.
E, neste momento, muitos humanos precisavam de proteção. Mesmo com a destruição do Overmind e da maioria dos Cerebrates ainda aconteciam muitas escaramuças por todo aquele setor do espaço. 

Os Zergs eram abundantes, e sem um controle central para controlá-los eles vagavam por todos os lugares e até pior, o tumulto emocional dentro da cidade entre toda a sociedade humana juntamente com as discussões entre os militares, incluindo os antigos membros da UED que trocaram de lado, ameaçava destruir tudo aquilo que os refugiados tinham construído, tudo aquilo que os humanos haviam eregido em Tarr, a maior e pelo que sabiam, a última cidade remanescente do planeta.

Todos esses problemas, entretanto, não eram para aquele dia, não no sol da manhã, com aquela leve e agradável brisa vinda do norte. Até mesmo o soldado humano que havia sido designado a testar Holo36 estava de bom humor naquele dia. O nome do soldado era Jwolf e tinha prometido ao holograma que se tudo continuasse calmo ele até se arriscaria a ir ao comando central para ver se algumas das disputas poderiam ser resolvidas.
Holo36 orou, ou fez o equivalente cibernético disso, pedindo que os humanos voltassem ao normal, porque ele, talvez mais do que todos os outros na cidade, tinha mais a perder. Ele era um instrumento de guerra, e juntamente com o soldado eles formavam a epítome do que significava ser um Mariner, a junção perfeita entre homem e tecnologia, o que nesta época curiosa, não pareciam definições tão claras. Esta era uma época em que a carne e o silício, a energia e o fluxo de sangue andavam juntos e se confundiam.
Esta era a época em que os humanos, tal como os Protoss à muito tempo antes, se aventuravam pelos caminhos sinuosos da ciência e descobriram como criar exoesqueletos de guerra na forma de armaduras de combate ou treinar soldados psiônicos capazes de ficar invisíveis apenas com um piscar de olhos.
Além disso, por todas as últimas décadas, foram estas tecnologias que permitiram os humanos a se expandir, viajando pelo espaço profundo, criando novas colônias e novas cidades. Além de tudo, foi essa nova tecnologia que permitiu aos humanos, tidos como teimosos e desorganizados, a vencer muitas batalhas contra os Protoss que se definiam como seres mais evoluídos, porém extremamente rígidos ou contra a praga Zerg, considerados por muitos como invencíveis, porém extremamente caóticos.
Mas agora, por causa de tudo que havia acontecido em Korhal, havia muita disputa e desconfiança sobre o que realmente significava ser humano, e mais importante, que relações os habitantes de Tarr deveriam promover com os outros planetas humanos.
“Bom dia Soldado Jwolf, Lindo dia não?”, veio o cumprimento de um soldado, na realidade uma unidade Ghost na forma de uma bela e jovem dama, sobrinha do próprio general, líder do conselho da cidade.
Ela estava sentada em uma sacada, limpando seu rifle sniper, olhando para o jardim elevado cujos brotos estavam desabrochando na alameda superior.
Jwolf parou a meio passo, retesando seus músculos e enviando ordens silenciosas para seu exoesqueleto, saltou alto no ar e pousou pesadamente ao seu lado. Holo36, que só podia ficar afastado no máximo a três metros da armadura de Jwolf surgiu a seu lado e fez uma reverência, usando a forma de um monge chinês de um antigo holofilme que gostava.
O capacete do soldado seu abriu, revelando um cabelo negro e longo juntamente com olhos, do mais luminoso azul, que provavelmente flamejavam quando ele disparava suas armas.  “O dia realmente ficou mais lindo agora, minha cara Artemize”. O soldado respondeu. “Espero que eu consiga manter em minha memória esse dia para que no momento da guerra, minha mira seja mais certeira e mortal!”.
“Memórias não são tão importantes quando sua mira certeira, soldado”, respondeu Artemize provocando, “especialmente quando bons tiros o trazem de volta para mim, e para esta parte do planeta, na cidade de Tarr”.
O soldado, mesmo acostumado com a guerra, sentiu o sangue quente correr por sua face. Ele tinha suspeitado que alguém o espionava em seu treino de tiro e agora ele teve sua confirmação.
“Talvez você pudesse se unir a mim ao amanhecer, amanhã”, ele respondeu com um sorriso maroto buscando recuperar sua dignidade, “para que eu a possa recompensar corretamente este elogio mostrando como minha mira é certeira”.
A jovem Ghost olhou para ele profundamente, sorriu e voltou para dentro da casa levando a arma sobre o ombro. Jwolf, apenas chacoalhou a cabeça e continuou seu caminho. Ele se divertiu pensando como poderia recompensar corretamente a travessa guerreira, entretanto temeu que, devido ao parentesco de Artemize, quaisquer tentativas poderiam conduzir a uma situação em que ele não podia resolver.
O soldado afastou tais pensamentos, era um dia muito bom para qualquer reflexão negra e outros pensamentos sobre a bela Artemize o distrairiam muito para a reunião que se aproximava no comando central.
Jwolf continuou até o final da rua onde estava sua moto de combate. Quando se aproximou a imagem de Holo36 já havia ligado todos os sistemas e o esperava ao lado da porta na forma de um antigo mordomo Dominium.
O motor do pesado veículo rugiu quando ele saiu pelo portão sul de Tarr, os soldados postados ao lado de cada torre de proteção ofereceram apenas um aceno respeitoso enquanto ele passava em alta velocidade.
Jwolf amava verdadeiramente esta cidade, mas ele amava as terras vazias ainda mais. Aqui fora ele sentia que estava verdadeiramente livre de todas as preocupações e de todas as lutas insignificantes da política, além disso, era aqui fora que sempre havia aquele sentido de perigo pois um Zerg poderia estar observando-o até mesmo agora. Será que suas armas estariam prontas para abatê-lo? Essa sensação mantinha o formidável soldado na sua mais alta guarda.
Além de tudo, aqui fora, também, estava seu amigo, um antigo mercenário Protoss que atuava como cientista chamado Markees Tull, o qual Jwolf tinha conhecido nos melhores e piores momentos da guerra nestes dez últimos anos.
Markees não se arriscava a ficar em Tarr, mesmo depois da proclamação do comando central em abrir os portões para todos os Protoss. Ele vivia longe das estradas comuns geralmente usados pelos humanos em uma antiga, porém excelente construção, guardada por todo o tipo de proteção mortal de sua própria fabricação.
Até mesmo as escarpadas rochas ao redor de seu lar estavam cheia de proteções, sensores e campos de energia que poderiam exterminar qualquer criatura menor que um Ultralisk.
Tão secreta era a fortaleza do cientista Protoss que poucos humanos perto de Tarr ao menos conheciam e até menos já a tinham visto por dentro. E desses, nenhum exceto Jwolf poderia encontrar seu caminho de volta sem a ajuda do alienígena.
E Jwolf não mantinha nenhuma ilusão sobre isto, se o Protoss quisesse esconder os caminhos da fortaleza até mesmo dele, o velho e cauteloso cientista teria pouca dificuldade em fazê-lo.
Porém, neste dia maravilhoso, parecia a Jwolf que os caminhos sinuosos para a fortaleza do cientista estavam mais fáceis de seguir do que o habitual e quando ele chegou próximo da estrutura, ele escutou Holo36 conversando com os sistemas de segurança que desligaram os campos de força e destrancaram a entrada que estranhamente lembrava um antigo bunker humano.
“Markees”, ele chamou no rádio, enquanto entrava em um corredor escurecido além da entrada, o cheiro de óleo de seu veículo ficava pra trás enquanto se misturava com o cheiro do corredor que sempre lembrava para ele uma dúzia de velas ou pergaminhos antigos. “Seu Alien velho e tolo, você está aqui?”.
Um rosnado baixo pôs o soldado em prontidão; suas armas engatilhadas já estavam em suas mãos com um movimento tão rápido que um observador destreinado não conseguiria seguir.
“Markees?”, ele chamou novamente no rádio, mas de forma silenciosa mandou Holo36 investigar as câmeras e sensores da base, enquanto fazia seu caminho ao longo do corredor, seus pés se moviam em equilíbrio perfeito, e mesmo suas botas pesadas tocavam suavemente a pedra, silencioso como um Ghost.
O rugido veio novamente e foi exatamente quando Jwolf soube contra o que ele estava lidando: um Zergling. Um bem grande, o soldado reconheceu, pelo profundo chiado que subia pelo corredor.
Ele passou por várias portas escutando cada uma com muito cuidado, logo após a terceira porta ele reconheceu que o som vinha bem no fundo do corredor. Tal fato trouxe ao soldado um pouco de esperança de que a situação talvez estivesse sob controle, pois aquela porta em particular conduzia ao laboratório de Markees, um dos lugares mais bem guardados de toda a fortaleza do velho cientista.
Mesmo assim, Jwolf se amaldiçoou por não estar mais bem preparado. Ele tinha trazido apenas metade de sua munição e nenhum explosivo pesado. Naquele dia, ele pensou que isso seria o suficiente e não queria desperdiçar nem um só momento daquele belo dia.
Se Holo36 conseguisse ao menos estabelecer contato com as câmeras da fortaleza ele poderia sondar o que estava acontecendo atrás daquela porta e quem sabe diminuir as incertezas e melhorar suas chances.
Ele tinha, pelo menos, suas armas e, com elas, Jwolf Starr estava longe de ser impotente. Ele se pôs de costas contra a parede perto da porta e segurou o fôlego firmemente. Então, sem atraso o soldado girou e ele invadiu a sala.
Ele sentia os arcos de energia circulando por cima dele enquanto cruzava as portas automáticas e, então, ele foi atingido por uma onda de energia, arremessado pelo ar, indo pousar do outro lado da sala contra uma parede de metal.
Markees Tull estava em pé calmamente ao lado de uma mesa de cirurgia, trabalhando com algo em cima dela, nem se incomodando em olhar para baixo, onde estava o atordoado soldado.
“Você poderia ter batido antes de entrar”, o velho cientista disse secamente, e mesmo sem ter uma boca como os humanos, sua voz era audível e eloqüente como sempre. Tudo isso por causa de incrível capacidade de seu povo em manipular e por vezes se tornar pura energia.
Jwolf, levantando-se do chão, postou-se de pé informalmente. Seus músculos ainda não estavam trabalhando corretamente. Convencido de que não havia nenhum perigo próximo, Jwolf deixou seu olhar se demorar no alienígena, como fazia freqüentemente. Mesmo acostumado com o seu velho amigo o soldado não tinha visto muitos protoss na sua vida. Outros como ele não podiam ser encontrados em grande número naquela região do espaço.
De qualquer forma, para ele, aquele era o mais curioso protoss de todos, com sua face acinzentada e aparência pálida. Um dos olhos de Markees tinha sido arruinado em uma batalha e parecia bem morto agora, com uma cicatriz escura sobre a sua pele lustrosa. Sim, Jwolf poderia encarar o velho Markees por horas a fio, vendo os combates de toda uma vida em suas cicatrizes, arranhões e rugas.
As maiorias dos humanos, incluindo os próprios companheiros de guerra de Jwolf, teriam achado o velho Alien uma coisa feia, não natural, pois os humanos não tinham aquela aparência estranha que sempre parecia se transformar em energia.
Jwolf, no entanto, não pensava em Markees como uma visão feia. Até mesmo as cicatrizes que podiam ser vistas por todo o corpo da criatura falavam muito sobre que tipo de material ela era formada, era como observar um monumento esculpido por anos debaixo de um sol alienígena e estrannho, encarando tempestades de energia e lutando por estações contra os mais estranhos tipos de mutações Zergs que existiam.
Parecia verdadeiramente ridículo a Jwolf que o alien ele tivesse centenas de anos de idade. Por vezes ele apenas desejava ter a sorte de colecionar uma fração de suas cicatrizes como testamento de suas experiências.
“Você deveria saber que eu estaria protegido”, Markees riu mentalmente. “Claro que você sabia! Há! Há! Você estava apenas fazendo um espetáculo, então. Dando a este velho Protoss uma boa risada antes dele morrer!”.
“Receio que você viverá mais que eu, meu velho”, disse o soldado.
“De fato, existe essa distinta possibilidade se você continuar atravessando minhas portas sem se anunciar”.
“Eu temi por você”, Jwolf explicou, dando uma olhada no enorme laboratório que parecia maior que a estrutura externa da fortaleza. Às vezes o soldado suspeitava que existisse uma grande parte da fortaleza escondida no subsolo, mas ele nunca saberia, pois o frustrante Markees certamente não o deixaria explorar a toa.
O que o laboratório tinha de grande, ele também tinha de desorganizado, com altas pilhas de caixas de metal, mesas, peças, computadores e gabinetes cheios de cubos de energia em uma confusão sem fim. Quase uma mensagem de revolta contra uma raça tão evoluída.
“Eu ouvi um rosnado”, o humano continuou. “Um Zergling”. Sem olhar para os equipamentos que estava manejando, Markees acenou sua longa cabeça na direção de uma grande cela fechada por um campo de energia.
“Veja se você não chega muito perto”, o velho cientista disse com um tom maldoso. “Este velho mutante irá agarrá-lo pelo braço e o arrastará para dentro, não tenha dúvida!”. “E então você precisará mais do que suas pequenas armas”.
Jwolf nem mesmo estava escutando, pois se aproximava lentamente da cela, movendo-se em silêncio para não perturbar a criatura. Ele agarrou o controle da mesa que controlava o sistema e, movendo diminui o fluxo de energia a um ponto que era possível ver através dele. Então o soldado realmente ficou de boca aberta.
Era um Zergling, como havia suspeitado, três vezes. Não, quatro vezes o tamanho do maior Zergling que Jwolf já tivesse visto em seus anos de combate. E o Zergling parecia diferente de tudo o que ele já havia visto antes, pois os Zerglings eram normalmente os menores e mais fracos de sua raça. E o monstro se aproximava do campo de energia lentamente, observando metodicamente seus detalhes como se procurasse por alguma fraqueza, alguma escapatória da mesma, com seus músculos ondulantes guiando com uma graça e um perigo incomparável.
“Onde você encontrou esse monstro?”, o soldado perguntou. A voz dele aparentemente alarmou o Zerg, fazendo-o parar com o que estava fazendo. Ele encarou Jwolf com uma intensidade que roubou quaisquer palavras da boca do soldado.
“Oh, eu tenho meus meios, guerreiro”, o velho Protoss disse. “Eu tenho procurado pela arma certa certo durante muito, muito tempo. Procurando por todos os mundos desconhecidos e locais do espaço ainda não explorados por meu povo”.
“Mas por que?” Jwolf perguntou, sua voz não mais do que um sussurro. Sua pergunta foi direcionada tanto para o magnífico monstro, como para o velho cientista e, verdadeiramente, o soldado não poderia pensar em nenhuma razão para justificar a presença de tal criatura senão morta.
“Você se lembra de meu conto sobre Kerrigan?”, Markees replicou, “De como meu eu e meus guerreiros conseguimos sobreviver para fora das garras de milhares de Zergs justamente quando ela se rebelou?”.
Jwolf acenou com a cabeça, lembrando bem daquela história. Um momento depois, entretanto, quando as implicações das palavras de Markees o acertaram, o soldado virou em direção ao cientista com uma carranca de desconfiança. “Zergs contra zergs”, Jwolf murmurou. Nessa batalha, Kerrigan não havia ajudado os Protoss, na realidade ela estava tentando vencer outros Zergs controlados pela UED enquanto alicerçava seu poder.
Ele olhou para o grande Zergling, e então se voltou para Markees. “Esse monstro deve ser morto. Não acredito que poderemos usá-lo como arma contra outros Zergs”, o soldado protestou. “Os riscos envolvidos são muito grandes, não podemos confiar nessas criaturas!”.
“Eu já estou trabalhando nisso”, Markees disse ligeiramente. “Eu já extirpei de seu corpo qualquer órgão que Kerrigan e outros Zergs possam usar para controlá-lo e instalei uma série de melhoramentos. Não tema, esse monstro é a arma perfeita que usaremos contra nossos inimigos”.
“Arma?”, o soldado ecoou ceticamente, olhando mais uma vez nos intensos, inteligentes e assustadores olhos fendidos da enorme criatura. “Você então não matará esse monstro?”.
“Eu estou oferecendo a ele, a capacidade de retribuir por tudo o que sua raça nos fez”, Markees disse indignado. “Você arrisca tudo o que construímos aqui, apenas por uma chance remota de atingir nossos inimigos”, Jwolf rebateu. Mais nervoso e desconfiado do que jamais esteve com o velho Markees. “Você sabe que os Zergs vencem pelo grande número e pela sua grande capacidade de mutação. Ele é apenas um monstro, por mais formidável que pareça ser não fará a diferença!”.
O soldado tinha visto cidades caírem perante a força numérica dos Zergs. Por mais equipados que fossem os soldados humanos ou quão formidáveis no combate individual fossem os guerreiros Protoss. A tática dos Zergs em soterrar seus inimigos sob milhares de soldados, sem nenhuma preocupação com o número de mortes já havia sortido efeitos devastadores.
Jwolf já havia enfrentado por diversas vezes os Zergs, vendo muitos de seus companheiros caírem por causa de sua fúria. Por isso era tão difícil ver o cientista tentando criar algo útil a partir desses monstros.
Mas dessa vez parecia que a situação podia ser diferente, Jwolf sentia em seu coração. Este monstro, este grandioso Zerg aparentava uma força e uma inteligência que ele nunca tinha visto antes, talvez algo de bom pudesse sair desse plano.
“Você fará esse monstro…” Jwolf começou.
“Eu o chamo de Cérbero”, Markees explicou.
“Esse Zergling…” o soldado reiterou vigorosamente, incapaz de discutir o admirável nome dado a este animal. “Você fará desse Zergling uma arma que funcionará conforme nossa, não a vontade coletiva de Cerebrates ou da própria Kerrigan?”.
“O que mais alguém como eu poderia fazer?”, o velho cientista perguntou. “Ele é um formidável guerreiro Zerg, capaz de infiltrar, destruir e inclusive converter outros Zergs para lutarem ao lado de nossos exércitos. O que mais você pode querer?”.
Jwolf encolheu os ombros e suspirou indefeso. “Os riscos disso não darem certo ainda são muitos”, ele murmurou.
“Isso é porque você não acompanhou todos os testes que fiz. Nem todas as missões que eu o mandei realizar. Se você soubesse, os riscos não seriam parte de suas preocupações”. Retrucou o cientista enquanto ligava a tela principal de seu computador.
Imagens gravadas de diversas batalhas eram mostradas simultaneamente. Parecia que uma câmera presa a Cérbero ou em algum ponto distante havia gravado diversas de suas missões. Essas cenas mostravam lutas contra outros Zergs. E depois que ele os mordia, cada um era controlado de alguma forma por Cérbero e juntos eles atacavam e destruíam regiões infectadas inteiras antes de serem destruídos finalmente por ele. 
A expressão de Jwolf claramente demonstrou seu pensamento. Um Zerg, controlado daquela maneira, capaz de converter e depois exterminar outros Zergs poderiam fazer o trabalho de todo um esquadrão de soldados com um risco muito menor, mas seria realmente seguro confiar naquele monstro? Não foi exatamente o que fizeram com Kerrigan antes dela trair a todos?
“Você se preocupa por causa das razões erradas, soldado”, Markees replicou. “Você deveria ter treinado para ser um espião, um Ghost. Seguramente sua preocupação segue nesta direção!”.
“Um espião”, o soldado perguntou, “Como você já foi certa vez?”. O velho cientista deu um longo suspiro.
Jwolf encolheu os ombros. “Eu não escolhi ser um soldado. Foram as circunstâncias que me levaram através de todas essas batalhas. E hoje não conheço outra vida e não acredito que poderia ter escolhido um caminho diferente”, ele argumentou.
Markees concordou silenciosamente. Realmente, o velho Protoss via muito dele naquele jovem e idealista soldado humano. E isso era muito curioso, ele devia estar mais velho e cansado do que pensava.
“Quando você irá terminar os testes?”, Jwolf perguntou. “Terminar?”, perguntou Markees. “Eu estive trabalhando em cima desse projeto durante quase três décadas e gastei o último ano preparando essa fera para finalmente soltá-la”.
Jwolf achou que depois disso a discussão estava terminada. Ele não queria saber mais sobre experiências. Principalmente com Zergs.
“Hoje o dia está particularmente bonito lá fora. Quem sabe você não pudesse aproveitar um pouco”, o soldado murmurou. O Protoss bufou. “Então ele estará mais bonito quando eu destruir todos os Zergs!”.
Isso pegou Jwolf de surpresa. Realmente Markees era um alien teimoso e se Jwolf continuasse comentando sobre ele sair do laboratório era possível que ele ficasse ainda mais irritado.
“Minha decisão de criar essa arma não foi uma decisão de momento”, Markees disse de repente, de modo sério. “Eu tive muito tempo para refletir sobre meus atos. Sobre as repercussões que isso traria para as outras raças. E agora a grande roda do destino não pode mais ser parada”.
“Para bem ou para o mau?”.
“Isso só um vidente do meu povo teria condições de saber”, Markees respondeu encolhendo os ombros. “Mas a minha escolha foi a correta, eu estou seguro disso. Apesar de saber que tem os seus riscos”.
Quanto tempo passará até que saibamos disso? Pensou Jwolf. Infelizmente a certeza nunca é duradoura.
Markees falou sobre os riscos e certamente havia muitos. Vários testes falharam e se voltaram contra ele. Ou simplesmente se enfureciam a tal ponto em que atacavam tudo e todos até a morte. Mas após diversos testes, mudanças de DNA, ele acreditava que a natureza de colméia estava seguramente banida e ele lutaria por eles.
“Eu rezo para que você tenha razão”, disse Jwolf, “pois seguramente Tarr enfrentará
maiores perigos do que o ataque de Zergs desordenados se isso escapar. No entanto”. Jwolf olhou para a criatura curiosamente dessa vez, “um cientista Protoss e um soldado Humano, um holograma inteligente e um Zerg como arma secreta. Realmente formamos um time interessante”.
“Um time totalmente mortal”, Markees murmurou. “Por que, eu penso que Kerrigan não espera esse tipo de união e nem faz idéia das capacidades que podemos somar. E é isso que realmente espero. Que todos os nossos odiados inimigos sejam destruídos juntos!”.
“Realmente juntos nós somos muito mais fortes”, o soldado concordou. “Os cientistas Protoss excedem muitas vezes a tecnologia de meu povo. Mas os humanos têm a capacidade de improvisação e a teimosia para criar estratégias inesperadas e, sim, até mesmo os Zergs, se puderem ser controlados passam de adversários perigosos para aliados inesperados”.
“Eu não discordo de você”, Markees disse, acenando sua mão direita, com três dedos no ar. “E como eu disse, eu escolhi corretamente. Mas ore para que os militares da cidade resolvam suas disputas internas, ou as dificuldades de Tarr serão dez vezes piores”.
Jwolf acalmou-se e acernou com a cabeça; ele realmente não podia discordar com o último argumento do velho Markees e, na realidade, ele estava carregando esse mesmo medo a muitos dias. Talvez a união entre protoss e humanos fizesse a diferença. Talvez ganhando força na diversidade, eles teriam condições de vencer os Zergs, qualquer que fosse seu número. Mas se o povo de Tarr não pudesse enxergar um caminho para essa unidade…
Jwolf deixou esse pensamento vagar por sua consciência, e por fim, deixou de lado. Deixou para um outro dia, um dia de chuva e névoa, um dia de guerra e sangue talvez.
Ele olhou para a criatura presa e suspirou até mais esperançoso. “Trate bem do Cérbero, Markees Tull. Quero um dia vê-lo em combate pessoalmente”. Jwolf então partiu, fazendo seu caminho mais lentamente enquanto retornava à última cidade humana do planeta.
Na rua, ele viu Artemize novamente na sacada, só que desta vez ela usava uma leve roupa de seda e ostentava um sorriso travesso e convidativo. No entanto, ele passou por ela rapidamente. O soldado, o Mariner não se sentia disposto para jogos naquele momento.
Muitas vezes nas próximas semanas Jwolf voltou à fortaleza de Markees e sentou-se quietamente em frente à jaula, comungando silenciosamente com o formidável monstro enquanto o cientista fazia seu trabalho.
“Logo teremos missões para vocês. Assim que eu terminar de negociar com o conselho de guerra o uso de meu monstro, poderemos sair em missão”, Markees anunciou inesperadamente, um dia quando o inverno estava chegando.
Jwolf encarou inexpressivamente o velho cientista e retrucou. “O uso de Cérbero, você quer dizer”, disse. “E espero que ele esteja tão ansioso quanto eu para realizar seu trabalho”.
Os olhos da criatura o fitavam intensamente, e Jwolf interpretava aquele olhar como uma prova dessa ansiedade. “O inimigo de meu inimigo”, sussurrou o soldado.
“É meu amigo”, finalizou o velho Protoss, virando-se para fitar profundamente os olhos de ambos os guerreiros. Então se calou, deixando o humano e o Zerg sozinhos, compartilhando silenciosamente seus pensamentos sobre a batalha que viria.