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Encontre sua própria voz.

O simples título desse texto representa um dos maiores desafios daqueles que escolheram escrever suas próprias historias. Por isso, vou usar uma das canções favoritas do filme “Moana” como um bom exemplo para refletirmos nesse capítulo.

A letra da música foi criada por Lin-Manuel Miranda e Mark Mancina. Interpretada por Auli’i Cravalho, Mateus Ineleo, Olivia Foai, Opetaia Foa’i e Vai Mahina.

E ela diz:

“Atravessei o horizonte para te encontrar
eu sei o seu nome

Talvez eu tenha roubado o coração de dentro de você
Mas isso não significa que você
Não é quem você é

Você sabe quem você é”

Lindo não? No momento que acontece essa parte da história, Moana descobre que o principal “monstro” da história também é o objetivo que ela estava buscando completar. Salvar a deusa Te Fiti.

Para fazer isso ela antes teve de fazer algumas coisas:

1. Escutar o chamado do mar;
2. Descobrir sua coragem interior;
3. Entender que ela é uma exploradora;
4. Aceitar a sua “missão” e tenha cuidado com os monstros:
5. Encontrar quem poderia ajudá-la e por fim;
6. Encarar o monstro da história.

Esses passos são ótimos resumos quando pensamos no ofício da escrita. Antes de discutirmos caso a caso, devo comentar que o tempo, ou mesmo a ordem, que cada um faz depende apenas dele mesmo. Então vamos conversar mas, nada de ficar comparando o que você fez com o que os outros fizeram. OK?

 

1. Escute o chamado do mar:

O primeiro item, apesar de tudo, acaba sendo o mais fácil. Se você está lendo esse texto sobre reflexões de um escritor ou, se você já leu qualquer outro material sobre processos de escrita, é porque o mar da escrita já te chamou e você está inquieto. Interessado em saber mais, em saber como você pode aplacar essa vontade de colocar suas histórias, todas elas, no papel ou no arquivo de texto de seu computados.

Então olhe para a linha do horizonte, onde as águas terminam e comece a pensar sobre como seria escrever nas suas horas vagas, nas noites mal dormidas, nos momentos que o sonho parece mais forte que você ou mesmo, quando aquela idéia marota não para de aparecer aonde quer que você olhe.

Então aproveite o chamado e escreva, escreva muito. Mas não jogue fora o que criou. Guarde, coloque em uma pasta no fundo da gaveta. E nunca deixe de escrever.

 

2. Descobra sua coragem interior:

Agora vamos a uma das partes mais difíceis. Descobra sua coragem e se prepare para dizer “obrigado” para todas as críticas que você receber. Lembra que você encheu uma gaveta de palavras, contos, poesias e sonhos?

Então. Pra testar sua coragem você precisa colocar em prática a sua capacidade de se arriscar e engolir todo o seu orgulho. Comece mostrando seu texto para algumas pessoas e escute delas suas críticas. Sim. Isso mesmo. Críticas.

Agradeça os elogios, mas lembrem-se que eles só vão te levar pra uma caverna úmida no final da canção. Você precisa encarar as críticas e aprender com elas. Isso porque o mundo é vasto e as oportunidades são maiores.

Alguem não gostou do seu texto. Pergunte porque. Pergunte onde ele mexeria. E depois reflita e estude. Faça de novo. Não pra ele. Mas pra você!

E não se esqueça de agradecer! 😉

 

3. Entenda que você é um(a) explorador(a):

O ser humano é um bicho que pensa que pensa. E por causa disso nós pensamos muito! Pensamos sobre o que existe além do morro, além das cidades, além das estrelas.

E por isso saímos para explorar e buscar encontrar quem nós somos realmente. Então entenda que esse chamado da escrita é o mesmo chamado que impulsiona um pintor, que movimenta os pés de um explorador, que motiva um empreendedor a criar seu negócio.

Nós somos exploradores. E por isso nós sempre vamos buscar novos lugares. Então, como um escritor, explore as possibilidades. Escreva contos, artigos, poesias, histórias Scifi, histórias hot. Misture personagens diferentes de outros escritores. Corte pedaços de outras histórias. Veja porque o diálogo do escritor que você tanto gosta é tão gostoso de ler. E porque a história de outro livro é tão chato pra você.

Entenda quais são as tábuas que formam seu barco. E assim entenderá quais técnicas você mais deve usar para encontrar sua própria voz. Então explorar é preciso, sempre.

 

4. Aceite a sua “missão” e cuidado com os monstros:

Estou usando como exemplo desse item uma das músicas mais divertidas do filme Moana que também é uma das cenas de maior “perigo” para a personagem. Nessa cena Moana encara o monstro Tamatoa. Um caranguejo gigante cheio de si, que adora dizer que ela está errada, que a avó dela mentiu e que ele está certo porque é brilhante.

Então. No caso do caminho da escrita. Se prepare para encontrar muitos Tamatoa’s pelo caminho. Digo isso porque eles se reproduzem com rapidez e sempre podem ser encontrados nas convenções, eventos literários, cursos e grupos de amigos.

Eu estou falando daqueles “amigos” ou parentes que sempre te dão orientações, sempre dizem que você está no caminho errado, que sempre falam que você não tem jeito e que escrever é uma loucura.

“Seja quem você é por dentro
Eu preciso de três palavras para rasgar seu argumento para além
Sua avó mentiu!
eu preferia ser Brilhante”

Então cuidado com quem fala demais, brilha demais e na realidade é um monstro. Mantenha sua visão, siga a missão de ser escritor e continue.

 

5. Encontre quem possa te ajudar:

Esse parte é óbvia mas é difícil.

Então pense agora. Quem é o escritor, profissional ou editor que pode te ajudar? Ajudar com dicas, com novas leituras, com técnicas pra você melhorar?

Pode ser um amigo, um parente ou mesmo um autor de livro. Encontre, escute e aproveite suas dicas.

Mas lembre-se. O Caminho é seu. E só você pode encarar os seus desafios.

 

6. Encare o verdadeiro monstro da história:

Por mais difícil que seja, você deve encarar que o verdadeiro monstro está dentro de você.

Ele é a sua falta de coragem. Seus medos de não saber escrever. Sua mania de comparar outros escritores com você. Sua preguiça.

Agora, de verdade. Pense e responsa profundamente. Quem é você?

Saber responder essa pergunta é o maior desafio que existe. É ele que impele você na busca de ser um escritor. É ele que molda suas escolhas.

Aprenda a domar o monstro. Transforme-se. Escreva e por fim. Descubra que a sua voz muda a medida que você cresce.

Você já é um escritor. Sempre foi.

Você só precisa sentar a bunda na cadeira e escrever. Da maneira errada ou certa. Aprendendo com os erros, fugindo dos monstros e explorando as possibilidades.

Então escute o mar, busque sua voz.

Escreva…

Esse artigo faz parte de um livro que está sendo desenvolvido pelo escritor JBAlves.
Para acessar os capítulos prévios acesse gratuitamente o Wattpad CLICANDO AQUI.

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Para refletir…

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A vida é breve.
Nada vence o tempo.

As memórias desvanecem.
Nada perdura.

Apenas o pouco que criamos pode continuar.
Como um eco, um reflexo.

Uma sombra do que se foi.

 …

 

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Preso, apenas com uma estática na garganta.

Me sinto preso. Sentindo apenas uma estática na garganta.
E não sinto mais nada além disso.
Nem a esperança e nem a liberdade de antes.
Apenas o desejo de consumir os bens que me consomem.

Assim, preso e murcho, eu só consigo observar aquele absorver da vida.
Que suga tanto aqueles que amo, como aqueles que odeio.
Apenas deixando a pior metade de cada um.

Uma metade incompleta que se arrasta e espera.
Batendo cabeças sem olhar nos olhos dos outros.
Presa apenas no palpitar da noite que sussurra o medo
e silencia o coração.

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Rachaduras / Cracks

Rachaduras são importantes. Elas nos lembram que as coisas não são eternas. Tudo se esvai. O ano some nas folhas rasgadas do calendário, a vida volta ao pó nas cicatrizes e tudo mais termina e some nas rachaduras.

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Cracks are important. They remind us that things are not eternal. Everything is decaying. The year fades away in some torn pages of the calendar, life returns to dust between the scars and everything ends and disappears into the cracks.

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Porque escrevo?

Porque escrevo? Escrevo porque isso me abre meus olhos para um universo muito maior, e isso me deixa um pouco mais vivo e um pouco mais alerta, sempre.

Eu estava pensando justamente nisso quando encontrei uma bela declaração que falava um pouco mais sobre isso. Com vocês, algumas palavras de Mario Bortoloto, um escritor e dramaturgo que muito admiro. 😉

Mario-Bortolloto

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Teclas

teclas

 

 

“O simples ato de escrever
é um desatino desproporcional.

Um remendar de palavras
ou mesmo um encaixe de sentimentos
Onde a ferramenta utilizada
realmente não importa.
Seja ela lápis, tinta, tecla ou tela.
Só é preciso o peso de um coração
e muita transpiração.
Para nos afastar do esquecimento
Que existe no simples ato de escrever”.

 

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Nada a declarar…

whitepaper
Uma página em branco pode representar as chaminés cheias de fuligem de uma Inglaterra vitoriana ou o chão batido de uma rua estreita e calorenta de uma cidade Brasileira.

Uma página em branco pode representar todos os sentimentos do mundo ou um personagem que, carregando manias e características,  se aproxima de uma vítima indefesa. Tudo isso existe no vasto universo que é uma página em branco.

Uma página. Um espaço. Preenchido por tipos, letras, fontes, palavras, sujeitos, predicados, verbos, frases, sentenças, capítulos, escolhas, desejos, medos e sentimentos de um autor. Leia mais

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Por um pouco mais de consciência…

tribo

Li uma vez que um antropólogo fez uma brincadeira com as crianças de uma tribo africana.

Ele colocou um cesto cheio de frutas junto a uma árvore e disse para as crianças que a primeira que chegasse na árvore ganharia todas as frutas.

Dando o sinal, todas as crianças saíram correndo ao mesmo tempo. Então sentaram-se juntas para aproveitar da recompensa.

Quando o antropólogo perguntou porque eles haviam agido desta forma, sabendo que um deles poderia ter todos os frutos para si, eles responderam:

“Ubuntu. Como um de nós pode ser feliz se todos os outros estiverem tristes?”  Leia mais

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O olhar de minha janela…

na janela

O nascer e o morrer
são apenas ilusões.
Silhuetas gentis.

De uma foto repetida
em um cenário chapado.
Tudo junto e misturado.

Preso apenas no fundo
do olhar de minha janela.

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Olhando muito ao longe…

“Entre a terra e o céu
vive o homem.

Que mesmo livre
ainda tem medo.

Medo de pensar,
ou mesmo sonhar,
sobre o que realmente pode existir.

Por trás das nuvens.
Além de seus sonhos…”